28 novembro 2011

Apresentando: Cícero



Foi em um dia no trabalho, que o colega Pedro Brandt me passou alguns discos, entre eles estava o primeiro de um cantor e compositor carioca, Cícero. Depois de perguntar se eu conhecia, as palavras foram: "Ah! Ele é um cara que está bem conceituado por aí". Paguei para ver e me apaixonei pelo disco. 

O álbum de estreia, lançado este ano, foi todo gravado em seu apartamento e por isso, o nome Canções de Apartamento. Sim, o CD é um daqueles em que você deve ouvir de preferência sozinho, com seus fones de ouvido, para que ninguém fique perguntando: "O que diabos você está ouvindo?". E nem pense em colocar ele em alguma reuniãozinha de amigos, ninguém vai querer ouvir. Mesmo que vocês estejam apenas bebendo vinho. 

A tal gravação no apê trouxe ao disco esse ar introspectivo, mas também recomendou todo um cuidado com as canções. O barulho da chuva, os panderinhos de leve, os passarinhos ao fundo, tudo isso só engrandece a obra de Cícero, que ganha mais credibilidade por ter letras tão bonitas, que saem de óbvio. As influências vem claramente da MPB, na matéria de Leandro Lippi, são apontados João Gilberto, e Tom Jobim, e, rock mais novo, como Pixies e Sonic Youth. 

Livro - 27



A morte ronda por aí. É claro que ninguém vive sua vida achando que vai morrer a qualquer momento, senão, você ficar completamente bitolado e para efetivamente de viver. Mas, o protagonista do livro de Kim Frank, 27, tem certeza absoluta que seus dias estão contados. 

Mika, no começo do livro, é um adolescente de 18 anos, que nunca teve contato com o rock, com o sexo, com as drogas ou qualquer outra coisa que se assemelhe a isso. Um menino puro, que come Corneflakes todas as manhãs e um dia, depois da morte de seu tio, um aficionado por música, encontra uma série de vinis. Coisas raras, como o primeiro LP do The Doors. 

O fascínio lhe rompe a mente. E nessa busca por essa coisa tão diferente e prazerosa, ele conhece também o Clube dos 27. Aquele em que estão os roqueiros que morreram fatalmente aos 27 anos. Estão lá alguns nomes conhecidos, como Jim Morrisson, Janis Joplin, Brian Jones, Jimi Hendrix e Kurt Cobain. E outros nem tão comentados assim, como Dave Alexander, do Stooges, Ron Mckernan, do Grateful Dead e Kristen Pfaff, do Hole. 

Depois de ler essa quase "teoria" da conspiração, o menino acha que tudo vai acontecer com ele. A vida toma seu prumo e ele passa por coisas que jamais pensaria em viver. Mas, se Kim Frank queria ter feito alguma análise ou contar alguma história mais aprofundada sobre a paranoia de achar que se vai morrer... Bem, ele não conseguiu. Uma pena, porque o livro parece ser bem interessante num primeiro momento. 

Como tudo na vida, há o lado bom. Os pontos do romance estão para as partes históricas, que estão entremeadas à vida e memória de Mika. O problema é que se você é um pouco antenado, você sabe de tudo e isso não faz diferença na sua leitura. 

25 novembro 2011

Single - Amy Winehouse

Desde que achei este vídeo, esta semana, não paro de ouvir repetidamente. Essa é mais uma das canções que Amy Winehouse gravou antes de morrer fatalmente, sim, aos 27 anos (como tantas estrelas do rock), que estará no terceiro álbum da cantora. Chato ter um álbum póstumo de uma pessoa que cantava tanto quanto ela, né? E que morreu assim... Se ainda fosse velhinha, aos 99 anos, a gente dava um desconto. O álbum se chama Lioness: Hidden Treasures e está previsto para sair dia 5 de dezembro. "Our Day Will Come" é uma cover inédita do grupo Ruby & The Romantics


Tiê volta a Brasília

Uma representante da nova MPB sai e chega em Brasília mais uma. A cantora Tiê acaba de passar pelo Palco Sunset do Rock in Rio, assim como Tulipa Ruiz, em um encontro com o uruguaio Jorge Drexler. Ele também participa do segundo disco da cantora, A Coruja e o coração (2011), que ela apresenta pela primeira vez no Feitiço Mineiro (306 Norte).

“Eu vi que algumas parcerias no Sunset não deram certo, mas acho que eu e o Drexler nos demos muito bem. Nós nos conhecemos pessoalmente apenas três dias antes do show e ele foi muito atencioso”, contou Tiê por telefone em meio a um trabalho de figurinista para um videoclipe, embora nunca tenha trabalhado com isso.

O clima do segundo disco é mais alegre do que o primeiro e a explicação é simples, o aparecimento da pequena Liz, hoje com 2 anos. “Essa mudança de repertório se deve totalmente ao nascimento da minha filha”, e sobre a dificuldade de criar uma criança ela responde: “É tranquilo, ela vai comigo nos shows, inclusive, o primeiro show que ela me acompanhou foi aí em Brasília, quando ela só tinha três meses”, revela.

Além das canções novas, a paulista também promete cantar músicas do primeiro álbum, Sweet Jardim (2009). O show, ao contrário do apresentado em janeiro dentro do projeto Sai da Rede, do CCBB, será mais introspectivo, a acompanham no palco Plínio Profeta (guitarra, baixo, banjo) e Gianni Dias (baixo, guitarra e violão).

O show é amanhã, às 22h, no Feitiço Mineiro (306 Norte, Bl. B, Ljs. 45 a 51; 3272-3032). Os ingressos custam R$ 30 (preço único). Não recomendado para menores de 18 anos.

Abaixo o mais novo videoclipe da cantora. Amanhã, vamos lá?

Tiê - "Pra Alegrar o Meu Dia"

23 novembro 2011

Apresentando: Dum Dum Girls


Por mais que o cenário alternativo já esteja saturado de bandas que mesclam o surf-rock da década de 60 com influências do rock de garagem, a sonoridade proposta pelo quarteto feminino californiano Dum Dum Girls chega de forma tecnicamente renovada, ou pelo menos longe de atravessar composições sonolentas que investem demais em experimentações sujas e pouco comerciais.

Assim como em seu álbum de estréia (I Will Be, 2010), ao longo do novo Only Dreams o grupo busca constantemente por canções que colem facilmente nos ouvidos, tanto por sua instrumentação, quanto pelos pegajosos versos que acompanham tais canções. Enquanto "Always Looking", faixa de abertura do disco, expressa essa busca apenas em sua sonoridade, trançando guitarras estrondosas com uma batida esparsa, em "Bedroom Eyes" o sutil encontro entre versos amorosos e levemente sofridos com uma sonoridade dançante que remete claramente ao rock 60 transformam a composição em uma das faixas mais empolgadas e belas do disco.

Não por acaso acabou virando o primeiro single oficial do novo álbum das garotas e já ganhou clipe. Com o visual simplista e alguns toques de psicodelia, o que se ressalta é a boa instrumentação e a letra melancólica da canção. Para quem gosta da mistura do surf rock com doses de lo-fi, a música/clipe é um prato cheio.

Ou seja, a mesma forma que no debut das californianas, Only In Dreams proporciona ao público um verdadeiro catálogo de hits, um agrupado de composições em que pelo menos duas (ou mais) canções vão involuntariamente acabar pescando o ouvinte. Não vai mudar o mundo ou algo semelhante, mas é bom, é pop e é sincero. Ponto paras as meninas.



Dum Dum Girls - "Bedroom Eyes"

20 novembro 2011

Lafusa faz cover de Simonal


Quando recebi o e-mail dizendo que o Lafusa tinha feito uma versão de uma das minhas músicas preferidas do Wilson Simonal, "Nem vem que não tem", é claro que eu fiquei com medo de ouvir. Vocês sabem que tem gente que simplesmente acaba com a música e você sente aquela vontade de chorar como um bebê repetindo milhares de vezes: "cadê o respeito com a obra do cara, velho!?". Mas num é que ficou massa? 

O grupo deixou na melodia a malandragem estampada na canção, mas adicionou o ar Lafusa de ser. Tem guitarra, bateria mais forte e teclado marcante (que só me fez lembrar o Tom Jobim). Quer ouvir? Aqui

Este é só o primeiro dos clássicos que a banda vai reler. Vem por aí Mutantes e Roberto Carlos, que estarão em um EP com quatro covers. 

17 novembro 2011

Videoclipe - Feist

A cantora Feist acaba de lançar seu segundo álbum (depois de um longo período de férias) e aproveitou para fazer um videoclipe com cara de Melancolia, sim, o filme do Lars Von Trier. Ah! O nome do disco é Metals. Já baixou?

Feist - "How Come You Never Go There"

14 novembro 2011

Cineclubes viram boa pedida

Com o fim do Cine Academia (o cinema pegou fogo em maio do ano passado) (1*), o sucateamento do Cine Brasília, o fechamento do Embracine (2*) e as poucas exibições nos cinemas dos shoppings, poucas são as oportunidades que os cinéfilos tem hoje em Brasília de assistir filmes que estão fora do circuito comercial. Mas não se pode ficar parado. Prevendo o mau agouro, o Centro Cultural Banco do Brasil tem organizado mostras com filmes inéditos na cidade, mas que já passaram pelo menos pelas salas das grandes cidades, como Rio de Janeiro e São Paulo.

Outra opção têm sido os cineclubes (3*). Desde setembro, funciona na Universidade de Brasília (UnB), mais precisamente no Memorial Darcy Ribeiro (inaugurado em dezembro do ano passado), apelidado de Beijódromo, o Cineclube Beijoca. Todo mês acontece uma mostra, que traz três vertentes diferentes de filmes: inéditos em Brasília, produções independentes ou comerciais médias e de nacionalidades diferentes.

O cineclube nasceu da uma vontade conjunta de alunos e professores da universidade e dos organizadores do Memorial Darcy Ribeiro. A ideia é transformar o local em um grande espaço cultural. “Nós queremos trazer uma programação permanente para a cidade, seja de dança, música, teatro ou cinema. Vai ser ótimo para Brasília!”, disse o coordenador de programação do Memorial, Walter Brizola. Nos planos está inclusive, um café, em parceria com o Bistrô Bom Demais. “Ele deve se chamar Darcy Bom Demais”, contou Brizola animado.

Mesmo tendo acesso um pouco complicado, já que é difícil ir de ônibus a UnB, o cineclube está conquistando um público fiel. “As sessões tem cerca de 50 pessoas, às vezes mais ou menos”, conta Raquel Rodrigues, professora do Departamento de Filosofia. No último sábado, o frio assustou um pouco as pessoas, mas pelo menos 30 compareceram para assistir O Cão de Andaluz e O Fantasma da liberdade, ambos de Buñel. Gabriela Lafetá, 38 anos, doutorando em Filosofia e Literatura, ficou sabendo do cineclube por acaso e aproveitou para conhecê-lo. “Brasília não tem mais cinema, quando se tem uma oportunidadezinha é bom aproveitar”, relatou. 

Depois dos filmes é realizado um debate com convidados, o que é uma característica importante dos cineclubes. Na sessão do  dia 15, esteve por lá o professor de cinema e mídas digitais e coordenador do cineclube de IESB, Ciro Marcondes, que explica como um cineclube pode sobreviver: “Com a pouca opção de filmes de arte na cidade, os cineclubes se transforam no reduto da cinefilia e para tirar as pessoas de casa você tem que oferecer mais do que a exibição de um filme. É preciso ter um ciclo de palestras e uma programação atraente”.

Hospedado no Núcleo de Extensão da UnB, em Brazlândia, o cineclube Espaço Aberto está há três anos levando uma programação diferenciada para a cidade, que mesmo com 78 anos de idade e 53mil habitantes não tem nenhum cinema ou teatro. Mas ainda é difícil levar a comunidade ao local. “A maioria do público é de estudantes. São poucas as pessoas da comunidade que vão ao cineclube, mas temos um público cativo. O desafio hoje é fazer com que essas pessoas participem. Dentre as ações que estamos formatando está a exibição em locais públicos, como praças”, explica o realizador cinematográfico Antônio Balbino, um dos idealizadores do projeto.

Mesmo com esses paliativos, ainda é pequena a esperança que se abre. Está prevista para o dia 30 de outubro, a reinauguração dos cinema do shopping Casa Park, agora nas mãos do Espaço Unibanco. São oitos salas, que terão suporte para exibir filmes em 3D, som digital e bilheteria informatizada. Outra esperança é a reforma do Cine Brasília, que deve ser finalizada até a Copa de 2014, segundo o Governo do Distrito Federal.

Outros cineclubes também funcionam na UnB. Organizado pelo Programa de Educação Tutorial em Ciência Política (PET/POL), o CinePO se realiza todas às quintas-feiras, ao meio-dia e traz filmes com uma temática política. Às sextas-feiras, a Faculdade de Comunicação apresenta sempre às 13h, o CineFac e também às sextas, mas às 19h, os alunos Leonardo Tavares, Mariana Carvalho e Rafael Rezende se juntam para o Cineclubida, no Instituto das Artes. “Nós estamos fazendo o cinclube há um mês e começou da vontade de ver filmes com os amigos. Como estávamos meio tímidos, já que no nosso curso quase não se ensina cinema, vamos começar a divulgar o cineclube agora”. Para ter mais informações, você pode entrar no blog cineclubida.blogspot.com e ficar por dentro da programação.


Saiba mais:

1* Em 3 de maio de 2010, três salas do Cine Aademia pegaram fogo, depois que um cola inflamável entrou em combustão na Sala 8, que estava em reforma. Depois do incêndio, que foi controlado sem haver vítimas, o cinema foi desativado e Brasília perdeu um dos pouco redutos do cinema de arte.

2* A rede Embracine ficava no Shopping Casa Park e parou de funcionar em 27 de maio de 2011. Segundo o Casa Park, o Grupo Estação, responsável pelo cinema, estava sem pagar o em pagar o aluguel desde 2009 e a briga que era interna virou judicial.

3* Entre os cineclubes mais atuantes de Brasília estão Cineclube dos Bancários (Teatro dos Bancários, 314/315 Sul; 3262-9021), que funciona às segundas, sempre às 20h; Cineclube Iesb (Auditório do Iesb, 613/14 sul; 3448-9800), com sessões às quintas-feiras, às 11h e CineCal (Auditório da Casa da América Latina (SCS, Q.4. Ed. Anápolis), às quartas e quintas, às 12h30.


Povo fala:

“O fato de ter menos filmes bons em cartaz, tem se refletido nas minha idas ao cinema. Eu mesmo assisti Melancolia no Rio. Estou mudando para lá no final do ano e espero ver muitos filmes por lá!”
Kaio Felipe Mendes, 21 anos, 8° semestre de Ciências Políticas

“Eu morava em Salvador e lá tinha um cinema com programação apenas cultural. Então, estou sentindo muita falta disso aqui. Tenho baixado filmes, principalmente os antigos. Adoro Bertolucci, Bergman e Antonioni”
Tamara Vaz, 19 anos, 1° semestre de economia

“Eu gosto muito de fazer esse ritual de ir ao cinema. É uma coisa que eu aprendi a gostar, mas agora está complicado. Tenho ido mais nas mostras do CCBB.”
Igor Cerqueira, 19 anos, 6° semestre de Comunicação em Audiovisual