17 outubro 2011

Livro: 24 letras por segundo

Um livro de contos nem sempre é uma daquelas coisas legais de ler. Quando apenas um escritor se presta a fazer isso inclusive, parece que a história se repete várias vezes, só o enredo muda. Algo meio novela da Globo. Mas, Rodrigo Rosp resolveu fazer uma coisa diferente. Juntou 17 escritores e lhe fez um desafio, escrever contos inspirados em seus cineastas favoritos. O resultado foi o livre 24 letras por segundo.

Entre os diretores está a nova geração, que movimenta o cinema hollywoodiano e deixa a mesmice de lado (tirando o Spilberg). Quetin Tarantino, Tim Burton, os irmãos Cohen, Woody Allen, Polanski, Bertolucci , Pedro Almodóvar e David Lynch são alguns dos nomes poresentes na coletânea.

Lendo o livro, a sensação que se tem é de estar entrando em algum dos filmes (claro que fica mais fácil se você conhecer a filmografia do cara). 

Bernardo Moraes, escritor porto-alegrense, que já tem três livros publicados, é um apaixonado por Kill Bill, que em suas palavras é um misto de “violência, sangue, palavrões, diferentes pontos de vista, uma história de vingança e referências ao mundo pop”.

No conto “O túmulo frio de Mimi Meyers” ele mistura Cães de Aluguel com Kill Bill numa maestria quase que genial. Fechar os olhos e imaginar a cena é quase que inevitável.

Outro conto que se destaca é “Todos os homens dizem eu te amo” do prórpio Rodrigo Rosp, que escreve sobre Woody Allen. Numa brincadeira com o narrador, que Allen adora fazer, Rodrigo faz com que o neurótico Alvin discuta um pouco sobre ele vai fazer nos próximos 5 minutos. A mistura é de Noivo neurótico, noiva nervosa (1977) e Dirigindo no Escuro (2002).

Para explicar o cinema de Allen, ele diz: “O clima geral da obra pode ser resumido em uma frase retirada de Descontruindo Harry: ‘é tudo niilismo, cinismo, sarcasmo e orgasmo”.

O livro, além dos contos, também traz a filomografia dos cineastas e uma ficha técnica dos autores, o que pode te ajudar a procurar àqueles que gostar mais.

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