17 outubro 2011

Apresentando: Astronauta Pinguim

É bem provável que nenhum representante desta ou mesmo de outras épocas da produção musical brasileira seja capaz de traduzir com tanta propriedade a sonoridade ímpar exposta pelo krautrock alemão da década de 1970 (Can, Faust, Tangerine Dream, etc) com tanta propriedade e competência quanto o músico gaúcho Astronauta Pinguim.

Perdido em algum vórtice temporal que o mantém confortavelmente enclausurado nessas duas décadas de excêntricas construções musicais, o artista faz de seus discos uma porta para um universo de sons sempre nostálgicos e programações analógicas capazes de reverberar um tipo de música sempre empoeirada e hipnótica.

Tecladista estudiosos e apaixonado pelo sintetizador Moog, amante das idéias musicais de Ennio Morricone, de Brian Eno e um profundo interessado nos temas instrumentais propostos por grupos como Kraftwerk, Can ou mesmo David Bowie, fase Berlin, Pinguim faz de seu mais recente trabalho um fruto óbvio de anos de audições e experimentos em sua vasta biblioteca musical. Sob o nome emblemático de Zeitgeist/Propaganda, o álbum se distancia visivelmente das antigas transições do músico por qualquer forma de som mais ensolarado, reproduzindo assim um trabalho visivelmente mais sério.

Diferente do que fora apresentado em seu trabalho de 2008, o excelente SuperSexxxySounds, Pinguim traz um novo tipo de possibilidade ao seu trabalho, transformando o novo álbum em um projeto essencialmente urbano que faz brotar composições verdadeiramente entusiasmadas e densas. Porém, mesmo agradável e aparentando um salto musical em relação ao último disco, Zeitgeist/Propaganda e sua longa duração acabam pesando na hora em que sentamos para apreciar o álbum. Com mais de uma hora de duração e faixas que ultrapassam os sete ou oito minutos, o disco poderia ser mais enxuto e direto.


Astronauta Pinguim - "Wir sind nicht allein"

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