06 setembro 2011

Momo – Serenade of a Sailor


 Em Serenade of a sailor, o músico Marcelo Frota usa imagem do marinheiro para cantar a solidão, a esperança e o silêncio. Calcado num folk docemente lisérgico, banhado na tristeza mais profunda de Roberto Carlos e na instrospecção reflexiva do Clube da Esquina, Serenade of a sailor é o terceiro CD de Momo (como assina Marcelo Frota, ex-Fino Coletivo, em sua carreira solo). Em versos em inglês e português o artista se lança na aventura de deixar o porto.

Quando ele fala em canções do amor, é para valer. No novo trabalho, o tema é tratado sem o distanciamento ou a ironia comuns à nova geração da MPB. Em seus versos, a entrega é total, com uma pureza que chega a se aproximar, perigosamente, da ingenuidade piegas, somada a uma coragem franca que pode dar pena em alguns momentos. Afinal não é qualquer músico iniciante que enfrenta o desafio de soar verdadeiro cantando que "um dia você vai entender que o que vale é o sentimento" ou "felicidade é caminhar sem ter medo, de acreditar no coração".

“Comecei a compor aos 13 anos, já passei por esse momento de buscar soar supostamente mais poético, rebuscado. Hoje tenho essa onda minha, mais direta. Não tenho pudor nenhum em abrir meu sentimento, meu coração. Penso a música a partir disso. Deixo a ironia para o dia a dia”, comentou Marcelo em uma entrevista recente do lançamento do disco.

Canções introspectivas, algo confessionais, calcadas numa sensibilidade aguda, podem ser encontradas tanto no álbum de estréia A estética do rabisco, de 2006, quanto dois anos depois, o desenvolvimento da idéia em Buscador. Ambos acolhidos com elogios da crítica nacional e até mesmo internacional, como por exemplo a revista francesa Muziq e o crítico Peter Margasak, do respeitado jornal Chicago Reader. A boa recepção permitiu que ele fizesse uma turnê por 12 estados americanos, em palcos como o World Music Festival de Chicago e a casa de shows Nublu, em Nova York.

Marcelo cita como suas principais referências, artistas de língua inglesa e portuguesa. “Leonard Cohen, Clube da Esquina, Nick Drake, o primeiro do Gonzaguinha, o Manera frufru, manera, do Fagner e o Wado, sempre”, conclui.

Mesmo mesclando composições em inglês e português, Marcelo realizou o CD mais acessível de sua curta e já relevante carreira, com melodias e arranjos que transmitem mensagens universais e ao mesmo tempo íntimas comuns a todos nós. Ponto para ele, sorte dos ouvidos curiosos que chegarem perto.

Momo - "Barco"

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