30 agosto 2011

Entrevista - Lafusa

Lafusa pela primeira vez em São Paulo

 O Lafusa resolveu dar um passo mais alto na carreira. Deixaram Brasília e foram tentar a sorte na terra da garoa, São Paulo. A decisão foi tomada no final do ano passado e se concretizou no começo deste. Os cinco integrantes Aloízio Michel (vocal e guitarra), Jamil Chequer (guitarra, gaita e backing vocal), Guilherme Guedes (bateria), Marcus Vinícius Pereira (baixo) e Samyr Aissami (teclados, guitarras, backing) rumaram para o desconhecido e estão aos poucos se dando bem na cidade turbulenta.
Em 2010, eles lançaram o primeiro disco, Preço do Horizonte, mas antes já tinham imprimido sua marca no Ep Quadricôlor (2007) e em uma demo (2005). O CD, como toda banda indepente que se preze, não teve participação de nenhum patrocinador, a não o bolso dos meninos. A bateria  foi gravada no Melhor do Mundo Studios, no Rio de Janeiro, do Alexandre Griva, que também mixou o disco. E os outros instrumentos e vozes foram gravados no estúdio da banda, aqui em Brasília, o Lugar Maravilhoso.

Conversamos com o baterista do grupo, Guilherme Guedes sobre a nova vida, shows e oportunidades. Dá uma olhadinha.


My Favorite Way: A primeira pergunta é aquela que não quer calar: por que a mudança para São Paulo?

Guilherme Guedes: Infelizmente, depois de alguns anos em Brasília, percebemos que a cidade limitava o nosso crescimento. Era difícil manter uma rotina de shows frequentes, porque ou não havia remuneração ou não havia espaço. Tentamos resolver isso produzindo nossos próprios eventos – como o mini-festival Lafusicando – mas ainda assim era complicado levar tudo junto, porque tivemos que investir em empregos externos para nos manter, e isso foi tirando cada vez mais tempo de investimento na banda. E somos apenas cinco, né? Não temos uma equipe fixa, fazemos tudo por nossa conta, do estúdio ao palco. Aí chegamos à conclusão que se fizéssemos o mesmo esforço que estávamos fazendo em Brasília, mas em um lugar como São Paulo, poderíamos obter resultados melhores.

My Favorite Way: Estar na cidade (SP) tem aberto mais portas para vocês? Quando entrevistamos o Bruno Souto da banda Volver (PE), ele comentou que uma das coisas boas de São Paulo era ter as TVs, revistas, jornais importantes, mais perto. Já rolou alguma coisa bacana para vocês nesse sentido?

Guilherme Guedes: Com certeza. No nosso primeiro mês aqui conseguimos uma nota na Rolling Stone, e fizemos algumas reuniões bem interessantes pro nosso futuro. Não vou falar demais antes de termos algo concreto, mas isso rola sim, temos várias coisas engatilhadas por aqui. Você sai à noite para ver um show e encontra vários integrantes de grandes bandas, jornalistas, pessoas envolvidas na produção de eventos, tudo isso. São coisas que poderiam acontecer se ainda estivéssemos em Brasília, mas exigiria um esforço pessoal e financeiro muito maior. Aqui também temos muito mais casas de shows, e é muito mais fácil de estruturar mini-turnês e viagens. Instalados aqui conseguimos fazer várias apresentações em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e fomos pela primeira vez ao Sul do país, para um show sensacional em Curitiba – sem dúvida um dos melhores que já fizemos.

My Favorite Way: E a adaptação? Brasília embora esteja crescendo e se inundando de carros, ainda não chega aos pés da loucura que é a capital paulistana. O que vocês têm sofrido por aí? Emprego, comida, trânsito, o que incomoda mais?

Guilherme Guedes: Há questões pessoais em relação a tudo isso, e cada um tem sofrido mais com uma coisa ou outra. Mas o que acho que impressionou a todos foi o estilo de vida do paulistano, a velocidade e a eficiência que tudo tem aqui. Em Brasília você tem tempo para ter a ideia, planejar com cuidado, executar na hora certa... Aqui, uns trinta outros passam na sua frente se você piscar os olhos. Temos que estar ligados o tempo todo, e isso exige muito de cada um. Outro problema é que a cidade é muito cara – é praticamente impossível pisar fora de casa e não gastar dinheiro. Mas poucos meses depois da mudança definitiva, podemos dizer que nos sentimos mais à vontade.

My Favorite Way: Vocês não estão mais em Brasília, mas a quantidade de shows que têm feito na cidade parece até que aumentou. Essa mudança de estado fez com que o brasiliense desse mais valor à banda?

Guilherme Guedes: O que posso dizer com certeza é que a recepção que tivemos nos shows em Brasília desde a mudança foi incrível. Foi muito bom voltar à cidade e ver quanta gente acredita no Lafusa, quantos torcem para que essa nova fase dê certo. Sempre que achamos que as coisas estavam mais lentas, que o público de Brasília não apareceria mais, nos surpreendemos positivamente de alguma forma, e não foi diferente das últimas vezes. Talvez as pessoas estejam tomando consciência de que os intervalos entre um show e outro serão maiores, e querem aproveitar ao máximo as chances que tiverem de nos ver ao vivo.


My Favorite Way: Peguei o disco de vocês pela primeira vez e a primeira coisa que me veio à cabeça foi: “Onde eles tiraram essa foto?”. Aproveitando, quem é o fotógrafo?

Guilherme Guedes: A foto da capa foi tirada pelo Aloízio na Ermida Dom Bosco, no fim do ano passado, brincando com a câmera de uma amiga. É aquele tipo de acaso que só Brasília permite: um pôr-do-sol maravilhoso, sem filtros ou efeitos mágicos no Photoshop. E como já planejávamos a mudança, foi uma forma de homenagear a cidade, também. Mas precisamos lembrar o responsável por todas as fotos de divulgação de O Preço do Horizonte, o queridíssimo amigo e espetacular fotógrafo Leon Rodrigues. O trabalho dele ficou maravilhoso, ele tem um olho incrível.

My Favorite Way: Da formação original do Lafusa estão apenas o Aloízio (voz e guitarra), Jamil Chequer (backing, gaita e guitarra) e você. Senti que o disco Preço do Horizonte ganhou, vamos dizer assim, um carinho a mais. Além de melhor gravado, o som do Lafusa agregou novos sons. Os novos integrantes do grupo tiveram alguma coisa a ver com isso? O que vocês apontariam como mudança e melhora?

Guilherme Guedes: As mudanças na formação da banda trouxeram muita coisa diferente ao nosso som. Nosso primeiro baixista, o Gustavo Portella (hoje no ADI e no Hellena), era um cara mais ligado ao hardcore e ao pop punk, e deu lugar ao Luiz Ribeiro (ex-Cárdia e Bois de Gerião), que apesar de curtir rock pesado, era mais ligado ao jazz e à MPB. Foi com ele e com o Samyr Aissami (teclados, guitarras, backing) que escrevemos, produzimos e gravamos O Preço do Horizonte, então foi natural que nosso som ficasse mais polido e maduro, até pela experiência adquirida na extensa turnê de divulgação do nosso primeiro EP, Quadricolôr, de 2007. Enquanto tudo isso acontecia, eu, Aloízio e Jamil crescemos musicalmente, passamos a escutar coisas novas, e trouxemos novidades ao som da banda. Nosso atual baixista, Marcus Vinícius Pereira, criou raízes no rock com uma pegada dançante, tipo Jamiroquai e Red Hot Chili Peppers, então nossa próxima gravação deve ganhar nesse sentido, também.

My Favorite Way: Além de não estarem em Brasília, quais são as novidades que a banda está preparando? Videoclipe?

Guilherme Guedes: Nosso foco principal no momento é um EP de covers que estamos terminando de gravar. São quatro clássicos da música brasileira, rearranjados e readaptados ao nosso som, e é um projeto que pretendemos levar para frente se der certo, em novos EPs, com novas versões. Além disso, começamos as reuniões para gravação de um novo videoclipe, que sai ainda este ano. Entre as gravações e reuniões, começamos a escrever novas músicas, e ano que vem começamos a trabalhar no sucessor de O Preço do Horizonte. Mas ainda é cedo para saber como o próximo álbum vai soar.

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