12 agosto 2011

Cobertura Porão do Rock - 2º dia

No segundo dia de Porão do Rock, o Brollies and Apples claro, chamou a atenção de todos. O mini-vestido de Carol Teixeira deixou os homens maluquinhos. Pena que o show foi tão cedo para o sábado, às 20h50. O pessoal resolveu chegar mais tarde e a arena do rock só foi encher mesmo lá pelo show do Wander Wildner e do Jon Spencer. Dêem uma sacada na nossa cobertura, que contou com os textos de Felipe Nunes, Tom Young e Júlio Guilherme Franco.

Brollies & Apples
Brollies & Apples, grupo formado por Bianca Jordão (Leela), Carol Teixeira (colunista da revista TRIP), Rodrigo Brandão (Leela e marido de Bianca) mais Chernobyl (produtor do Bonde do Rolê) transformou a arena do Porão do Rock em uma pista de dança. Música eletrônica, rock e até uma pitada de grunge fizeram parte do repertório da banda paulista formado por gaúchos (Carol e Chernobyl) e cariocas (Bianca e Rodrigo). A banda se mostrou satisfeita em tocar em Brasília pela primeira vez com uma presença de palco incrível. Os vocais são distribuídos entre as duas mulheres e há um momento em que Bianca ainda comanda a bateria. Com direito a um cover de “Unbelievable” da banda EMF, o quinteto empolgou. Empolgou tanto que Carol Teixeira sentiu-se à vontade para declarar, “estou perdendo a virgindade de Brasília, então sejam legais”. Teve cover do Sonic Youth e The Runways. Na coletiva de imprensa super animados com o show, o Brollies deu duas notícias em primeira mão. Este ano, a música "So What" será a trilha sonora da nova programação do canal HBO na América Latina. Chernobyl ainda informou a banda gaúcha Ultramen volta com ele na guitarra muito em breve. (Felipe Nunes)

Camarones Orquestra Guitarrística
Direto do Rio Grande do Norte, o grupo instrumental Camarones Orquestra Guitarristica, veio pra surpreender a todos que ainda não conheciam o som deles. Grande destaque do Bananada de 2010, os meninos e as meninas da banda não se intimidaram com o imponente palco, resultado da extensa agenda da banda. Sem limitar em momento algum seu som, o grupo percorre diversas vertentes do rock sem ficar preso a estruturas da musica sem vocal, assim como a banda gaúcha, igualmente instrumental, Pata de Elefante. Ou seja, não tem vocalista, mas poderia ter. Qualquer canção do grupo potiguar tem estrutura básica de canções pop rock, mas ninguém sente falta de uma figura central. Até por que a baixista Ana Morena (colocada estrategicamente entre as duas guitarras) cumpre esse papel com prazer e louvor, suando o decote durante toda a apresentação. (Tom Young)

The Dead Rocks
The Dead Rocks_Andressa Anholete
Só faltou a praia para que o show do trio do interior paulista The Dead Rocks se transformasse em um grande lual. Todos com ternos vermelhos e óculos escuros, Johnny Crash na guitarra, Paul Punk, o baixista que está comemorando hoje seu aniversário de 31 anos e Marky Wildstone na bateria colocaram Brasília para dançar com muito surf music. Dancinhas e muitos passos de dança à la anos 70 tomaram conta do Palco Chilli Beans. Com 11 músicas, o rock instrumental da banda não sente em momento algum a falta de uma voz. A banda é altamente performática, ágil, veloz e toca com uma harmonia contagiante. Entre as versões do show rolou "As Rosas não Falam", de Cartola. O trio fechou sua apresentação com a música intitulada ‘a música da galinha’ com Johnny fazendo ali, ao vivo, sua guitarra cacarejar como a ave. (Felipe Nunes)

Wander Wildner
Wander_Alessandro Dantas
O ex-Replicantes, o gaúcho Wander Wildner veio novamente a Brasilia e mais uma vez fez a alegria de todos que acompanham sua trajetória, justificando a espera por um dos shows mais aguardados do festival. Clássicos como Lonely Boy, Empregada, Bebendo Vinho, Maverikão, Amigo Punk e a já tradicional cover de Um Lugar do Caralho, da referência psicodélica gaúcha, Júpiter Maçã. Destaque absoluto para a estimulante baterista Pitty Ferraz, incansável do primeiro ao ultimo golpe de suas baquetas flamejantes, sempre com o charme em alta. Isso sem falar na baixista Geórgia Branco, da mítica banda punk paulista As Mercenárias, sempre competente. Detalhe. Como não poderia deixar de ser, após sair do palco e ser ovacionado pelo público sedento por mais, o gaúcho quebrou as regras de um festival alternativo e voltou pra tocar mais uma. Obrigado Wander, volte sempre. (Tom Young)

Lucy and the Popsonics
Lucy_Gerdan Wesley
Música eletrônica no Porão do Rock? Só se for o eletrorock do trio Lucy & The Popsonics que, como a penúltima atração do palco Chilli Beans, subiu no palco mais de 20 minutos adiantada (prevista para a 0h10). Os fãs de carteirinha da banda lotaram a frente do palco para, a partir da primeira música, “Eu Quero Ser Seu Tamagoshi”, formarem um grande coro com a vocalista Fernanda Popsonic. Durante o show, ela jogou uma camiseta e um CD, que acertou em cheio um bombeiro que passava no momento. Já no final, os gritos e palmas conseguiram multiplicar o número de músicas: eram previstas oito, mas tocaram o bis “Eu Vou Casar com um Cosmonauta”, que encerrou a apresentação com grande animação. Porém, era visível a cara de frustração dos fãs que queriam muito mais. Com inspiração no punk, Lucy & The Popsonics é uma banda pioneira do eletrorock em Brasília. Antes uma dupla, os brasilienses Fernanda (voz e guitarra) e Pil Popsonic (baixo) sentiram a necessidade de colocar algo mais em sua música. Chamaram o baterista Beto Cavani para deixar o som mais marcante, deixando de lado a quase exclusiva batida eletrônica. Em 2007, obtiveram grande reconhecimento com o CD A Farsa de Dois Eletropandas, chegando a tocar em diversos lugares do país e do exterior. No ano passado, lançaram o mais recente disco autoral, o Fred Astaire, produzido por John Ulhôa (Pato Fu).(Júlio Guilherme Franco)

Defalla
Defalla_Andressa Anholete
Após 20 anos sem tocarem juntos, Edu K, Castor Daudt, Flávio Santos e Biba Meira, voltaram aos palcos com a polêmica e escrachada banda DeFalla para a última apresentação do festival no Palco Chilli Beans. Edu K durante todo o show fez piadas, relacionadas principalmente a sua sexualidade. Além das piadas, Edu mostrou disposição ao cantar “Não me mande flores” pendurado na estrutura ao lado do palco. Com um show eletrizante, a banda gaúcha emendou um set list com 12 músicas, que passaram por “I Have to Sing a Song” e “Sobre Amanhã” e empolgaram o público, preferencialmente os mais velhos, que entoavam as vozes durante os refrões. Com direito a bebida de água na mamadeira e inúmeros solos de guitarra do vocalista indecente, o DeFalla mostrou que não deveria ter passado tanto tempo assim longe dos palcos. (Felipe Nunes)

Bilis Negra
Considerada (por mim) a melhor banda surgida na capital federal (tá certo, a concorrência tem sido pequena) desde o inesperável fim do Prot(o), saudosa banda de Carlos Pinduca, o agora quarteto Bílis Negra fez um show muito bom. Fomentando a cena local com o excelente e heróico projeto Somzera, semanalmente no Balaio Café, os irmãos Breno Brites (guitarra, vocal e composições) e Bruno Prieto (baixo e vocal) desfilaram seus hits em pouco mais de 40 minutos de show, abrindo e mantendo animados todos os presentes que já aguardavam ansiosamente pela principal atração da noite. Foi o primeiro show que vi com a nova formação e, mesmo discordando da inclusão de um novo guitarrista, admito que a performance ganhou em arranjos mais elaborados, porém perdeu no gás naturalmente urgente de um trio. Fica a dica. (Tom Young)

Jon Spencer Blues Explosion
Jon Spencer_Clausem Bonifácio
Luzes de palco apagadas e telão desligado. Em meio a penumbra exigida pela própria banda, os americanos do Jon Spencer Blues Explosion fizeram um show venenoso, intenso e repleto de más intenções. Uma porrada movida a duas guitarras e uma bateria seca que garantiram ao power trio a medalha de ouro do rock and roll na edição 2011 do festival Porão do Rock. Em clima de jam session, movido a muito swing, fúria e mensagens subliminares, o que mais me impressionou na intensa performance do trio foram os timbres de guitarra. Judah Bahuer (guitarrista que também acompanha a deusa Cat Power), rasgava os agudos de sua telecaster com ajuda de um Vox e um Fender Twin Reverb de dar inveja. Já Jon Spencer utilizando apenas as cordas de cima de sua guitarra fazia os graves soarem ainda mais graves e soturnos. Um único porém. Foi curto. Queria mais. (Tom Young)

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