10 maio 2011

Film Socialisme deixou a sala de cinema do CCBB vazia


Esta é a última semana para conferir o festival Inéditos em Brasília, que traz os filmes Moscou de Eduardo Coutinho, O Bom Coração de Dagur Kári, o infantil A Casa Verde, de Paulo Nascimento e Film Socialisme, o último lançamento de Godard. .

O controverso longa de Jean-Luc Godard começou com a sessão com o aviso de que a legendagem havia sido feita de acordo com o pedido do diretor, portanto não havia erro de legenda. E o aviso aconteceu justamente porque a legenda em português não foi literal. Na verdade, ela pegava apenas algumas partes dos discursos dos personagens deixando muita coisa no ar.

Esse foi um dos motivos para a sala começar cheia e terminar com metade das pessoas que entraram. Só mesmo os corajosos conseguiram ir até o fim. Film Socialisme é realmente uma película muito difícil de se assistir. Aqui, Godard retorna aos velhos tempos, lá nos idos de 60, revolucionando a linguagem do cinema, com a nouvelle vague.

“Acho que o filme segue bem a linha dele. O Godard tenta mostrar a história do separatismo europeu numa linha socialista, já que ele é socialista. O longa é uma desconstrução da linguagem cinematográfica. E ele quer mesmo isso, gerar conflito. Quer que a pessoa saia do cinema instigada. Dizem que um bom filme é aquele que você vai jantar e continua discutindo sobre ele, então...”, explica e deixa em aberto o médico Sílvio da Mota.

A mulher de Sílvio, Tássia, teve mais dificuldade para entendê-lo, já que não falava nenhuma das línguas do filme. Ela parecia um pouco indignada com a legendagem, mas no fundo só queria mesmo ter tido uma compreensão maior do que assistia: “Quando que eu vou passar um filme brasileiro sem uma legenda em francês na França? Acho isso uma falta de respeito”, disse Tássia. Ambos estavam no CCBB pela primeira vez e moram em Brasília há pouco tempo, vindos de Pernambuco.

Outro casal que teve problemas com a língua foram os arquitetos alemães Uta e Hendrik Beissert, que estavam visitando Brasília este fim de semana. Eles não falavam francês e só conseguiram entender a parte em alemão e inglês, que eram bem curtas, mas elogiaram o que viram: “A parte visual é bem interessante, ele consegue transpor a metáfora da imagem com a linguagem muito bem”, fala Hendrik.

O certo é que o filme de quase duas horas não foi feito para quem não conhece a obra de Godard e nem para os impacientes, pois sua linguagem é lenta, bem lenta.

Os filmes O Bom Coração e Moscou entram em cartaz esta semana. No primeiro, Jacques é dono de um bar em Nova York, que leva Lucas, um jovem morador de rua que tentou o suicídio há pouco tempo, para cuidar de seu bar. O segundo mostra a montagem do espetáculo As Três Irmãs, de Tchekhov, pelo grupo Galpão, numa linha tênue entre a realidade e a ficção.

Veja a programação completa no site do CCBB.

Trailer de Film Socialisme, Godard

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