20 janeiro 2011

Entrevista - Bazar Blue



Diego Marx e Kelton Gomes são amigos de longa data e resolveram se juntar para montar uma banda. A ideia era fazer algo em que eles dois só dependessem deles mesmos e nasceu o Bazar Blue.

A dupla se reveza em todos os instrumentos e vocais, menos da bateria que foi gravada por Lúcio Batuka, um baterista freelancer que deu um tom mais pop às canções.

As músicas da dupla já estão disponíveis em um blog, no primeiro EP dos muitos que eles pensam em gravar. Música Pra Dias Cinzentos traz um pouco dessa nova sonoridade indie, numa mistura de MPB e rock, vista em nomes como Marcelo Jeneci, Tulipa Ruiz, Thiago Pethit, Arnaldo Antunes e até o último disco de Caetano Veloso: “Acho que estamos todos captando uma zona de intersecção entre o indie e o mainstream, o pop e o alternativo... Essas diferenças tendem a se diluir cada vez mais”, explica Kelton Gomes.

Conversamos com ele sobre esse novo projeto via Gtalk e você lê um pouco desse bate-papo descontraído aí embaixo:

My Favorite Way: E aí? Você e o Diego começaram a compor juntos e depois a coisa tomou corpo e virou um projeto?

Kelton: Há muito tempo que o Diego e eu queríamos fazer algo juntos, mas nunca surgia a oportunidade, por conta da falta de tempo mesmo.

My Favorite Way: E vocês estavam em outras bandas também, né? (Kelton fazia parte da banda Korina e Diego da finada Velhos e Usados)

Kelton: Sempre estivemos envolvidos com bandas diferentes, mas sempre colaboramos nos trabalhos um do outro. Até que chegou um ponto em que tínhamos muito material que não cabia nas nossas respectivas bandas. Foi aí que decidimos fazer algo pra dar vida a essas músicas "desajustadas". Gravamos tudo muito rápido. Conseguimos o contato do Lúcio Batuka, um batera freelancer que grava na casa dele. Em um só dia ele mandou todas as bateras e tudo de percussão que precisávamos. Nos revezamos nos demais instrumentos.

My Favorite Way: Esse EP de vocês então foi uma grande colagem. Eu fiquei pensando como vocês vão fazer para se apresentar ao vivo. Tem alguma coisa na cabeça de sobre isso?

Kelton: É... Acho que é uma representação do que foi 2010, um ano de fragmentação. No fim das contas, nós dois ficamos sem banda, à deriva, musicalmente falando... O EP reflete isso. Quanto aos shows, a gente espera que eles aconteçam, num futuro não tão distante. Formaremos uma banda de músicos e amigos contratados. Mas só se a gente realmente conseguir dar a eles o tratamento que eles merecem. Sobretudo financeiramente.

My Favorite Way: Eu odeio perguntar sobre os nomes. Sei que muitos músicos odeiam responder sobre eles, mas acho que o nome sempre reflete a proposta da banda. Então, Bazar Blue?

Kelton: Bazar Blue... Como a maioria dos nomes de banda, não há nenhum grande significado por trás desse nome. Bazar Blue. É fácil de falar, é simples, soa bem... E as duas palavras trazem uma certa sensação de nostalgia, afinal de contas, bazar é uma coisa que já foi muito mais popular antigamente, né? E o azul é uma cor naturalmente nostálgica.

My Favorite Way: Isso passou pela minha cabeça (a parte nostálgica), por isso a pergunta. Mas agora a onda é brechó! Ainda dá tempo de mudar o nome. O que acha? (Risos)

Kelton: Bem, eu não frequento bazares nem brechós, só nos meus sonhos! (risos). Mas se for uma "tendência de mercado", quem sabe!? (Risos)

My Favorite Way: As músicas de vocês tem bem essa sonoridade, digamos de uma nova MPB de nomes como a Tulipa, Jeneci, a Nina Becker. E como é a parte de composição? Vocês escrevem juntos as músicas? Letras? Ou é só uma coisa natural alguém chega com um rascunho e os dois trabalham nisso?

Kelton: Geralmente é isso, sim. Um de nós traz uma ideia, um rascunho inacabado, e a gente vai trabalhando em cima, só com violões pra definir uma estrutura pra música. Depois a gente vai pro estúdio só pra pirar com as possibilidades de arranjo. Nós nos identificamos bastante com essa galera aí que você citou, acho que estamos todos captando uma zona de intersecção entre o indie e o mainstream, o pop e o alternativo... Essas diferenças tendem a se diluir cada vez mais.

My Favorite Way: Olha, “Dilúvio” não foi gravado com a voz de nenhum de vocês dois, né?

Kelton: É a minha voz!!!

My Favorite Way: Caramba! Sério!? Nunca ia chutar. É a primeira vez que você põe a primeira voz numa música então?

Kelton: Eu mesmo não me acostumei com ela, pois sempre fui tímido pra essa história de cantoria. Mas tô me soltando! Sim, é sim... Sempre tive facilidade pra fazer backing vocals, porque entendo um pouco dessa coisa de afinação e porque backing vocal não se expõe muito... Acho que me explico melhor com uma guitarra. Aos poucos vou me acostumando com a ideia. Também tem a ver com Diego meio que ter exigido que eu cantasse no Bazar Blue...

My Favorite Way: Como assim? Ele disse que só entrava no projeto se você cantasse e bateu o pé?!(Risos)

Kelton: Não, foi meio que um "deixa de besteira, canta aê bixo"! Acabou dando certo.

My Favorite Way: E o videoclipe? Foram imagens feitas em Brasília e de fora, né? Parece a Europa.

Kelton: O Diego filmou algumas cenas em Paris.

Bazar Blue - "Um Último Souvenir"


My Favorite Way: Vocês foram bem rápidos. Já tem até EP.

Kelton: Já estamos preparando o segundo!

My Favorite Way: Poxa, já? Mas mal saiu o primeiro!

Kelton: Poisé... Mas a vantagem de não estarmos focados em fazer shows é essa. Utilizamos o período de divulgação do EP pra fazer mais música!Nossa meta é lançar pelo menos mais uns dois EPs em 2011.


Um comentário:

Kelton Gomes disse...

Ficou ótima a entrevista, Alê! Já colocamos um link pra cá no nosso blog... Valeu!

[]'s

K.