02 novembro 2010

Tropa de Elite 2


Tropa de Elite 2 é uma daqueles filmes que parece que você está assistindo televisão, mais precisamente o noticiário do dia em algum jornal noturno. Embora Padilha tenha feito questão de dizer no começo do Tropa, que aquela era uma obra de ficção e caso houvesse alguma semelhança com a realidade, tudo não passava de uma coincidência, não é bem isso que acontece.

Neste filme, o “querido” Capitão Nascimento é promovido a Coronel depois de uma ação malsucedida do BOPE na cadeia mais temida pelos bandidos na época, Bangu. Coisa não dá muito para entender, se você estiver apenas lendo, mas as respostas estão no longa e eu não vou contar para não perder a graça. O fato é que ele passa a fazer com que a corporação mais bem treinada da polícia passe a caçar os bandidos e traficantes das favelas do Rio de Janeiro como nunca se viu na cidade. Ao mesmo tempo uma outra liderança aparece nas favelas, as tão temidas milícias.

Se moradores sofriam nas mãos de alguns carrascos traficantes, quando algum deles era “dono” do morro, com as milícias passaram a sofrer muito mais. Não precisa nem ir longe, quem não lembra da quantidade de mortes anunciadas nos jornais durante as ocupações das milícias. As chamadas “queima de arquivos”, ou seja mortes em massa.

O Tropa de Elite 2 retrata tudo isso, mas dessa vez, sabendo que quem viveu a tão pouco tempo, tem tudo na memória, eles dão uma visão diferente aqui. Voltamos então ao Coronel Nascimento, que dessa vez tem um filho de 16 anos, que ele ama, mas tem dificuldades de se aproximar; sua ex-mulher agora é casa com o seu inimigo número 1 e a política que ele acreditava ser a melhor para o povo, não é bem aquela ele pensava que era.

Aí, está a “beleza” e a realidade de Tropa 2, ele humaniza esse cara que no primeiro filme (bem mais chocante, diga-se de passagem), é quase visto como uma máquina de matar marginais.

Eu poderia parar por aí, mas preciso contar que quando assisti a continuação de filme de Padilha, estava lendo um livro chamado “Abusado”, do Caco Barcellos. Nele, o jornalista retrata a vida de um traficante, no livro, Juliano VP, na realidade, Marcinho VP, “dono” do Morro Santa Marta, em São Paulo. E eu nunca vi tanta realidade em um filme como vi em Tropa de Elite 2. Lendo o livro, eu revivi muitos momentos que o longa retrata e eu só que queria nada disso tivesse realmente acontecido. A obra do cineasta pode até avisar que tudo não passa de história, mas a realidade está latente e sangrando por aí.

Trailer de Tropa de Elite 2


2 comentários:

Super Mongo disse...

Hmmm, interessante. Bom post, boa leitura do filme e, de lambuja, uma bela indicação de livro. Parabéns.

Gustavo disse...

realmente o filme se mostra mt diferente do primeiro... p quem esperava um filme "porradera" viu algo totalmente diferente sem perder a critica muito bem colocada no primeiro e sem mais delongas mostra a verdade nua e crua, alem de mostrar o crescimento do personagem principal sem esquecer que no fim querendo ou não a culpa é nossa

fuiiiiiiiiiii