22 novembro 2010

Entrevista - Zémaria

Zémaria
"Aqui não tem silêncio", tirada do disco Trax 11, talvez seja a melhor definição do grupo capixaba Zémaria, que achou um tempinho na sua agenda e bateu um papo com o My Favorite Way.

Formada no final da década de 90, por Sanny Lys, Marcel, Negoléo e Spon, o Zémaria tem se destacado no cenário musical nacional e internacional. O grupo tem algumas turnês no exterior e várias datas (atualmente) no Brasil e cada vez mais vem conquistando seguidores aqui na terrinha, com sua mistura explosiva de rock e música eletrônica.

Enérgico em suas apresentações ao vivo, o Zémaria passou por Brasília na última edição do festival Porão do Rock (leia a cobertura dos shows aqui), e fez na minha opinião, o melhor show da noite, batendo de frente com gente grande, exemplo do She Wants Revenge que se apresentou antes do quarteto.

Marcel Dadalto (o cara que dá entrevistas) falou sobre o novo disco, The Space Ahead, lançado ano passado, o envolvimento com o coletivo também capixaba Smoke Island e alguns outros assuntos, curte aí!

My Favorite Way: Após seis turnês na Europa, vocês estão preparando alguma coisa apenas para o Brasil? Vocês já estão fazendo alguns shows por aí.

Marcel Dadalto: O ano de 2010 está sendo bem legal pra gente. Em fevereiro fizemos uma ótima tour pela Europa e tivemos a oportunidade de tocar num festival na Noruega, que foi mágico! Na sequência fomos indicados ao Prêmio Levis Music 2010 (Eles não ganharam, mas Levis ainda deu uma pequena patrococinada na carreira da banda e lançou o videoclipe da música "The Space Ahead", que você assiste lá embaixo) e logo depois ao VMB 2010. Isso tudo deu um impulso no nosso nome aqui no Brasil, já que de uns 4 anos pra cá a gente estava meio sumido daqui. Nós estaamos agora acabando de montar nosso novo estúdio aqui em Vitória e isso com certeza vai ser muito bom para as novas composições. Estamos com um novo disco pra fazer e temos que entregar ele pronto no primeiro semestre de 2011.

MFW: Falando um pouco do último disco, The Space Ahead, quais foram as principais influências?

Marcel Dadalto: Cara, acho que ele é uma síntese de tudo isso que a banda viveu nestes últimos anos. As turnês, as diferentes pessoas e lugares que conhecemos nesse tempo todo rodando pela Europa.

MFW: O que mudou no processo criativo da banda, que alterou um pouco a sonoridade após o 11 Trax?

Marcel Dadalto: Tudo! Sempre muda alguma coisa. A gente muda e isso é ótimo! Com certeza o próximo disco vai estar em outro lugar, com uma sonoridade diferente. Tomara!
O 11Trax foi feito enquanto morávamos em São Paulo e ele tem essa influência da urbe em suas músicas. O The Space Ahead foi todo escrito em Vitória, no mormaço da ilha. Acho que nossa maior influência sempre foi os lugares onde passamos. Todas aquelas cidades que você passa e pensa: eu moraria aqui... Agora na sonoridade acho que a mudança é mesmo um reflexo das horas que passamos no estúdio. A gente sempre se gravou. Aliás, a primeira vez que gravamos algo em estúdio foi esse ano, no TV Trama, e foi ótimo!
Mas desde o primeiro disco até este último, foi a gente mesmo quem fez tudo. Das letras aos arranjos, gravação, mixagem... Daí acho que é normal essa melhora na técnica com o passar do tempo, de ir conhecendo melhor os processos de gravação.

MFW: Em relação a custos, vocês têm algum patrocínio para eventuais apresentações, especialmente as que acontecem no exterior?

Marcel Dadalto: Hoje a logística da tour se paga, mas nem sempre foi assim. A gente já tirou bastante dinheiro do bolso pra investir nessas turnês. A gente entra com projetos em leis de incentivo cultural, editais de cultura... E às vezes rola.

MFW: Qual o envolvimento da banda com o “projeto” Smoke Island?

Marcel Dadalto: O Smoke Island é uma idéia minha e hoje o selo/blog é formado por colaboradores da cena local. Diego Locatelli, do projeto FUEL, faz a linha de frente do blog. Por ser um dos DJs que mais atua na cena local, ele está sempre ligado nas novidades que estão rolando nas ruas e nos Ipods da rapaziada daqui. Eu uso os contatos que faço na estrada com o Zémaria para ampliar cada vez mais o alcance do selo. As produções locais estão cada vez melhores e o selo apareceu em um ótimo momento. No dia 11 de dezembro teremos a terceira edição do Smoke Island Festival e com ele lançaremos uma nova coletânea. Se você não escutou ainda, segue o link http://soundcloud.com/smoke_island/sets/smoke-island-collection

MFW: De produto nacional, o que vocês têm escutado?

Marcel Dadalto: Meus broders daqui da área: Trepax, Solana, JoeZee, Mesu Komuro Trio, FUEL, Tamy, Andre Paste, Fe Pasqual, Audiomindz... Gosto muito também do Database, Holger, Tiê, Copacabana Club, Wannabe Jalva... Tem muita coisa foda por aí!

MFW: Vocês sentem muita diferença entre o público gringo e o daqui?

Marcel Dadalto: Não muita. É tudo muito parecido no final das contas. Talvez lá fora as pessoas dêem um pouco mais de valor por você ser de outro país. Mas isso acontece aqui também quando um gringo vem tocar.

MFW: Depois de consolidada, a banda ainda sofre alguma dificuldade para se estabelecer principalmente no cenário nacional?

Marcel Dadalto: Não acho que somos uma banda consolidada. Não no sentido comercial. O Brasil está apenas começando a formar um mercado cultural, então muita coisa vai mudar ainda. Acredito que para melhor. Claro que todo mundo que esta nessa sabe das dificuldades, que são dificuldades não apenas dessa profissão, de músico, é uma coisa do país mesmo. Umas das coisas que mais acho foda lá fora é isso. Como tem milhões de bandas que não são tão conhecidas, que são ótimas mas não fazem sucesso, saca? E essas bandas se sustentam numa boa, tocam direto, com dignidade... Existe um circuito sabe? Isso que me deixa mais triste de não termos isso no Brasil: um mercado independente que viabilize essa fatia da produção cultural, que na real é a base da parada.

MFW: No Brasil, vocês são uma das poucas bandas que fazem música eletrônica da forma tocada, distante do apenas “DJ”. Para você, qual a importância da música eletrônica ser difundida no país?

Marcel Dadalto: Não consigo rotular o Zémaria como uma banda de música eletrônica. Eu acho bem rock na real... Talvez pela vibe, pela ideia dos riffs, progressão harmônica, essas paradas. Mas fico feliz em participar desta época da musica brasileira, cada vez mais universal, mais plural. Sobre esse papo de DJ, banda, live... Lembrei de uma vez que eu vi um set do Richie Hawtin no Bar 25, o cara tava a tipo 3 palmos de distância, numa energia tão foda e o cara moendo o mixer, suando, pulando... Na sequência, vi o show do Klaxons no O2 Wireless Festival. Na boa, eu gosto de Klaxons, acho legal, mas o show foi tão sem sal, sem presença, sem improvisos, todo bonitinho, sem erros... Já o Richie tava totalmente louco, apaixonado com o mixer, ele tava ali de verdade, puro rock'n'roll. Eu acho que não tem mais dessa... Se é DJ, live, banda, rock, electro, pop, dubstep... O importante é se a musica é boa.

Zémaria - "The Space Ahead"


Promoção: E já que estamos com o disco do Zémaria quentinho, o que acha que concorrer ao The Space Ahead. Se você curte a banda, mande um e-mail para contato.favorite e nos diga "Qual a música que você mais gosta do Zémaria?". A promoção segue até o dia 29 de novembro! Corre lá!

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