27 outubro 2010

Entrevista - Kid Vinil

Na última edição da festa Play!, o convidado especial da noite era um dos ícones dos anos 80, o cantor, jornalista e DJ e mais um monte de outras coisas, Kid Vinil. Nós conversamos um pouco com ele antes dele subir ao palco e botar a galera para dançar. A discotecagem passou por um monte de indie, alternativos e bitpops da vida, entre as coisas conhecidas (que foram poucas), Kid tocou David Bowie e Pavement.

Se liga na pequena conversa que tivemos, que seguiu depois por e-mail. Falamos sobre a vida de DJ, deixado de lado um pouco de sua longa trajetória no rádio, TV e bandas de rock.

Kid Vinil_Alê dos Santos
My Favorite Way: Kid, hoje você está trabalhando onde?
Kid Vinil: Hoje eu ganho dinheiro com isso. Discotecando, tocando...

MFW: Nossa! Sério?! Então você está totalmente independente. Mas às vezes rola uns convites também, né? Para apresentar coisas. Ano passado você estava lá no Planeta Terra.
Kid Vinil: Sim e este ano eu estarei de novo lá. O pessoal me chama muito para festa dos anos 80, para discotecar. Eu não sei bem o porquê. (risos) Vou levando a minha vida assim hoje.

MFW: Mas já teve meses duros?
Kid Vinil: Já! Já tive que me virar com pouquíssima grana. Mas foi essa vida que eu escolhi.

MFW: Você tem filhos?
Kid Vinil: Não. Escolhi uma vida diferente, né? Com ela não dá para ter filhos, família. Sou feliz assim.

MFW: E como você começou a discotecar pela noite?
Kid Vinil: Eu comecei a vida trabalhando em rádio aos 20 e poucos anos de idade e em 1978 comecei a fazer festas de punk e new wave na periferia para promover o meu programa de rádio. Daí, continuei fazendo festinhas na decada de 80. Tocava em várias casas naquela época em São Paulo, como Rose Bom Bom, Hong Kong e Paulicéia Desvairada. Na decada de 90 continuei no rádio e fazendo festas de rock alternativo. Acabei ficando conhecido também como DJ em São Paulo, graças ao meu envolvimento com os programas de rádio. Aprendi a discotecar fazendo rádio, usando meu conhecimento musical. E às vezes ataco de residente no DJ Club aqui em SP às sextas, mas como viajo muito fazendo shows com minha nova banda (Kid Vinil Experience) e festas, não dá pra ser residente com muita frequência.

MFW: Você toca músicas suas em suas discotecagens, das suas bandas? Me perguntaram se ia rolar um "Tic Tic Nervoso" naquele dia.
Kid Vinil: Dependendendo da festa eu até toco alguma coisa minha ou de rock nacional, mas como a idéia da Play! é mais pro alternativo interncional decidi poupar os presentes de ouvirem alguma música minha. Mas confesso que tive vontade de tocar! Como meu set era muito curto, só 1 hora a pedido do Gonzalo, não deu tempo. Na primeira festa que eu toquei (Kid já esteve três vezes na Play! como DJ convidado), lembro que toquei "Tic Tic Nervoso" e a galera curtiu! Sei que tinha gente lá na festa esperando por isso, mas o tempo foi pouco.

MFW: E para você o que é um DJ? Eu sempre vejo várias definições por aí, do tipo: "O DJ é aquele cara que faz música" ou "que ele é só mais um tocador de CDs"...
Kid Vinil: Tem todo tipo de DJ hoje em dia. Aqueles que só tocam CDs e ainda de qualidade duvidosa (!), pois é tudo baixado e nada original. Tem o DJ laptop, que é pior ainda, pois é só apertar o play e soltar o programa. O DJ Ipod... É muito fácil ser DJ hoje em dia,  mas eu levo em consideração aqueles que conhecem música, pois tudo depende de uma boa seleção musical com bom gosto e bom senso. Tem também os DJs que constroem em cima das músicas, como o Zé Gonzales que eu considero um dos melhores e o rapper DJ HUM. Esses caras pegam várias músicas e transformam tudo com batidas diferentes, scratches, etc. A era do hip hop dos anos 80 criou outras maneiras de ser DJ usando efeitos e trabalhando em cima dos vinis, que hoje é mais raro na era digital. Mas existem DJs como o HUM que só tocam com vinis e fazem um trabalho de mixagens espetacular.


Veja fotos da Play! no nosso Flickr

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