16 setembro 2010

VMB 2010 - Onde foi parar o rock nacional?



Triste é você abrir o jornal hoje e ler: “Restart é o grande vencedor do VMB 2010”. O prêmio dedicado à música brasileira, especialmente ao rock nacional, pela MTV é sempre muito comentado pela mídia, mas sempre nos deixa muito cabisbaixos. “O que será que aconteceu com a música brasileira?”, nos perguntamos.

Quando se trabalha no meio independente e sabe-se da existência de bandas como Mombojó, Holger, Nevilton, Mallu Magalhães, Black Drawing Chalks, Apanhador Só e isso apenas para citar os que vieram a minha cabeça neste momento, como encarar o resultado das “votações”? Vai ver que esses artistas tem grande qualidade musical, mas infelizmente não fazem parte de nenhuma “família”, como os coloridos do Restart.

Não, não adianta falar que eles são um fenômeno. O que eles fazem são uma mistura clássica de pop, com letras grudentas e visual diferente marcante. Se você parar para analisar, verá que essas bandas, podemos colocar no balaio Cine, NX Zero, Fresno e afins, apenas pegaram uma velha fórmula e reformularam para a uma nova realidade.

O videoclipe de “Recomeçar”, por exemplo, é facilmente desvendado por quem um dia assistiu a MTV e viu “The W.A.N.D”, do Flaming Lips. Viu as roupas coloridas de Wayne e companhia? As roupas coloridas também são roubadas dos artistas da música eletrônica, que por sua vez, se inspiraram no movimento clubber. Sem contar que eles ainda dão uma de moderninhos cults, com os seus óculos Rayban de grau. A fabricação desse tipo de banda é tão triste para a música brasileira. Os cabelos amigos, vem lá de trás. E o pior? Eles nem são bonitos! Tira toda essa maquiagem e veja o que sobra. 

Não podemos descaracterizar totalmente a MTV, pois a TV é sim um sonho para toda banda de rock que se preze e ainda uma vitrine para bandas novas. O que se lamenta é o não reconhecimento de grupos e competentes, que poderiam subir ao palco, ganhar o prêmio, mostrar sua música e serem comerciais. Parabéns ao Thiago Petit! 

2 comentários:

Profeta Gedeão disse...

No momento em que o "meio indie" passou a dar preferência a bandas meia-boca, de pouco apelo pop. E quando qualquer artista com potencial para atingir o grande público passou a ser tratado como "traidor dos princípios que norteiam o meio independente", abriu-se o caminho para que os Restart da vida emergissem tão forte.

Isso porque, queiram os burraldos do meio indie ou não, o grande público e suas demandas culturais existem. E se não houver uma valorização das boas bandas com potencial para atingi-lo, essas demandas serão supridas por bandas pré-moldadas. Simples assim.

Mr. Orange disse...

Sinceramente não sei, porque o que você realmente vê é que bandas que ficam famozas se estragam, claro que essa ja começou uma bosta mas não vem ao caso.Melhor deixar esses caras fingirem ser os representantes do rock nacional enquanto numa cena mais underground temos bandas ótimas que cada vez mais reconhecimento fora do pais mas pelo menos nós conservamos elas boas como são sem ter que gerar montes e montes de cópias fajutas.