14 setembro 2010

Porão do Rock 2010 - Cobertura


Cassino Supernova
Com atrasos que passaram de mais de uma hora, a 13ª edição do Festival Porão do Rock iniciou sua maratona musical de 11 horas. O palco GTR que contou somente com atrações de heavy metal e suas vertentes e que ganhou instalação individual dentro do ginásio Nilson Nelson, começou por volta das 18h, uma hora a mais do que o programado. O público já era grande quando a primeira atração, a banda Mork, subiu ao palco e iniciou o gultural regado de riffs.

Pouco depois, no palco Chilli Beans, a Cassino Supernova começou sua apresentação que teve pouco mais de vinte minutos. O show contou com a participação do gaitista e vocalista da banda Korina, Guilherme Cobelo. A banda ainda dedicou uma de suas músicas, aos músicos do She Wants Revenge, que se apresentaria mais tarde no mesmo palco. (Felipe Nunes)

Watson
O atraso no começo do Porão foi ótimo para as bandas que abriram o festival. Caso do Watson, que deixou para cantar apenas para meia dúzia de gatos pingados, o que não quer dizer que o local estava cheio.
Quase uma hora depois, o grupo brasiliense subiu ao palco e mostrou porque deveria voltar ao Porão este ano. Um pouco sérios no começo (depois do show, Miguel jurou que isso foi loucura minha), o grupo foi se soltando e mostrou um show com bastante energia. Durante a apresentação, o vocalista pediu que os presentes apoiassem as bandas de Brasília Ironia ou não, o show terminou com “Tupanzine”, uma “música e
m homenagem aos shows meio vazios que nós fizemos por aí”, explicou Miguel. (Alê dos Santos)

A banda carioca, os Filhos da Judith foi a segunda atração do palco Pílulas e conquistaram lentamente o público que ainda chegava e explorava a estrutura do festival. Com a recente experiência de atualmente ser a banda de apoio na volta aos palcos do Erasmos Carlos, o eterno hitmaker e parceiro Roberto Carlos, eles fizeram um show correto com melodias estilo Rickembaker e figurino com terninhos justos. Os irmãos Luiz (guitarra e vocal) e Pedro (baixo e vocal), são realmente os dois filhos de dona Judith e orgulharam a mãe mais uma vez. Ao final da apresentação, o público já era definitivamente maior e mais interessado. Eles tem um disco lançado chamado “Eu Quero Ser Vinil”. (Bruno Fonseca)

Felipe S. tira roupa!
Após exatos 9 anos do ataque as torres gêmeas em NY, a banda pernambucana Mombojó atacou o público do Porão do Rock com hits certeiros e uma sequência final apenas com canções do disco de estréia que deixou os presentes satisfeitos, felizes e roucos de tanto cantar junto com o incansável vocalista Felipe S. E tem noites onde tudo dá certo. Até uma ausência que poderia comprometer, acre
scentou ainda mais a apresentação da banda. O baixista original Samuel não veio a Brasília, “porque está gravando a novela das 8”, como explicou Felipe no palco. Porém, com isso a substituição não poderia ser mais acertada. O conterrâneo Dengue (Nação Zumbi e 3 na Massa), caiu como uma luva e transformou a já competente cozinha da banda ainda mais interessante e cheia de grooves. Resumindo. Som bom, alto e definido, repertório excelente, músicos entrosados, público na mão e ainda o palco ao lado da entrada, tudo contribuiu para uma noite inesquecível e praticamente perfeita. (Bruno Fonseca)

A banda Sick Sick Sinners apareceu fazendo um psychobilly do mal. Nada mais é do que uma fuzão do rockabilly norte americano do anos 50 com influências do punk dos anos 70. Na prática seria um híbrido de um Jonhny Cash mal humorado com Cramps em começo de carreira. Com dois ex-integrantes de outra banda relevante do estado sulista, O Paraná, os Catalépticos, o Sick Sick Sinners capricharam no visual, na voz grutural estilo Dath Vader e mantiveram boa parte do público atento. No repertório, músicas do disco “Road Of Sin” lançado no final de 2008 pela monstro discos de Goiânia, além de novas que estarão no próximo. (Bruno Fonseca)

Na sequência, subiram os argentinos de Buenos Aires, Los Primitivos. Em comparação ao anterior, uma sonoridade mais pop e mais alegre. Bem fiel ao rockabilly dos anos 50, estilo Stray Cats. Além dos topetes com

gel, do baixo de pau (em pé), da calça com a barra dobrada pra cima, o chapéu de cowboy do guitarrista, a maior prova da fidelidade ao estilo foi o baterista. Assim como nas bandas ícones do gênero, ele tocou em pé e agitando o tempo todo. Há 20 anos na estrada defendendo o estilo com maestria, os portenhos fizeram um show excelente, colocando o público para dançar, mesclando músicas do recém relançado “Hasta Que Caigas Muerto”, com antigas. Mostraram que não estão nem perto da aposentadoria. (Bruno Fonseca)

Também não muito pontualmente, a banda local Trampa agitou os fãs mais fieis no palco Pílulas, que também teve a participação do já não tão bom trio carioca, Autoramas. O grupo fez um show que concorreu com o rapper GOG e que não acrescenta nada de novo. Participações a parte, Érika Martins, eterna ex-Penelope e mulher de Gabriel Thomaz, subiu ao palco sob a alcunha de cantora mais feminina do Brasil (?). (Felipe Nunes)

Pato Fu
O Pato Fu lançou seu novo disco este ano, mas já era de se esperar que nenhuma das canções presentes em “Música de Brinquedo” fossem cantadas naquela noite. O grupo já havia dito por aí em entrevistas, que em festivais os shows eram diferentes e no palco Fernanda Takai explicou: “Nós fizemos uma seleção de músicas de todos os tempos (do Pato Fu)”. E fizeram mesmo, tanto é que músicas há muito não tocadas, como “Perdendo os Dentes”, “Depois”, “Anormal” e até canções do “Rotomusic de Liquidificapum” (1993) entraram na dança. (Alê dos Santos)

Justin Warfield, do She Wants Revenge
O Zémaria seria a banda seguinte, mas o She Wants Revenge estava louco para entrar, ou simplesmente queriam ir embora logo, já que o show estava marcado para 0h50 e no relógio passava de uma da manhã. Na verdade, foi bem essa a impressão que o grupo californiano deixou em mim. Esperava que o show fosse mais animado, mas eles optaram por colocar mais músicas do “This is Happening”, CD mais lento e dark da dupla. Do primeiro disco, só cantaram as batidas, “These Things”, “Out of Control” e “Tear You Apart”. O som também estava muito alto. Uma pena, já que este era o show que me criou mais expectativa, principalmente depois de ver a longa passagem de som. O que mais me chamou a atenção foi o vocalista da banda, Justin Warfield não se parecia nenhum um pouco com as fotos que encontrou na internet dele, onde ele parecia apenas um rabanete, magrinho e franzino, mas com uma voz poderosa. Não, não poderia ser mesmo. Justin está bem longe dessa definição. Ele estava super na moda, fazendo combinação chamada de hi-low, onde se combina peças caras com antigas e muito baratinhas. A blusa cinza estava completamente rasgada na barra, a calça jeans era preta desbotada, a jaqueta de couro preto e a bota era bem batida. E magro ele era, mas franzino de jeito nenhum! Ele era bem mais alto do que eu imaginava, tinha braços largos e mãos grandes. E não, uma enorme aliança! Por isso, ele não deu a menor bola para a menina que colocava um papelzinho nos seios e tentava jogá-lo no palco. (Alê dos Santos)

Sanny (linda) vocal do Zémaria
Depois de uma apresentação conturbada do She Wants Revenge, subiram por volta das três da manhã, o grupo de eletro pop Zémaria. Me arrisco a dizer que o quarteto fez a melhor apresentação do festival. Som limpo, presença de palco contagiante, mesmo com as poucas pessoas que permaneceram na arena. O show passou por músicas dos seus primeiros discos, como “Kao Ok”, e por trabalhos do último disco, o “The Space Ahead”. (Felipe Nunes)

No release da banda, eles são classificados como uma banda de rock alternativo com influências de stoner, industrial, pós-punk além de sonoridade dos anos 90, o que deixa um ponto de interrogação sobre a real sonoridade da banda. Besteira! O som da banda é bem resolvido e os músicos competentes e experientes. Teoricamente eles foram escalados em um horário privilegiado, após a banda gringa principal, o She Wants Revenge e antes dos queridinhos da cena punk do DF, o Galinha Preta. Apesar do esforço dos integrantes e do bom repertório de músicas próprias, o Enema Noise pareceu meio desconfortável com a obrigação de manter as pessoas interessadas. Certamente agregaram novos fãs, mas a sequencia de shows ( Patu Fu, Zé Maria e She Wants Revenge) prejudicou um pouco a atenção do público que quereria ir atrás de outros palcos para os últimos shows do festival. (Bruno Fonseca)

Com um rock agressivo e com influências de country, os americanos do Supersuckers fecharam o palco Pílulas com um show cheio de gás e animação, porém um pouco burocrático. Confesso que me decepcionei um pouco. Achei tudo um pouco parecido e recheado de clichês do estilo. A banda tem anos de estrada e pareceu estar meio cansada de si mesmo. Desde os primeiros acordes, o público se aproximou em direção ao palco e demonstrou interesse e vontade de se divertir com o som dos americanos. Mas as músicas foram se sucedendo e a atenção dos presentes se dispersando, naturalmente. A interação público/ banda foi fator fundamental para bom andamento da relação. Esperava mais. Mas poderia apenas estar cansado e com frio mesmo. (Bruno Fonseca)

Galinha Preta
O Galinha Preta ganhou uma responsabilidade dupla ser a última banda do banco Chilli Beans e ao mesmo tempo fechar o Porão do Rock 2010. Como eles se saíram? Muito bem, obrigada. O grupo tocou mais do que os 30min reservados e subiu ao palco às 4h45, para um público cativo. Cheio de irreverência, Frango Kaos contava entre uma música e outra um “causo” para anunciar a canção da vez e a galera gritava de alegria. O show ainda teve a participação de uma moça apelidada de Naná, que tocou baixo no lugar de Bruno Tartalho em “Roubaram o meu Rim”. Brincando (e ao mesmo tempo falando a verdade), Frango disse: “Se tocar errado não tem problema não, Naná!”. Com o dia já amanhecendo, o Galinha Preta deixou o palco em grande estilo, isso depois do vocalista ter passado o dia inteiro fazendo o som das outras 9 bandas que passam pelo palco ficar bom. (Alê dos Santos)

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Colaboração: Bruno Fonseca

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