05 dezembro 2009

Goiânia Noise - 2° dia de último dia de cobertura

Depois de encontrar um hotel chulé, dormimos de 4h às 8h e rumamos para um hotel melhor. Era o mínimo que se podia fazer para dormir mais confortavelmente e com ar condicionado, porque Goiânia é bem quente. Depois de um rolê pela cidade (assuntos profissionais de um dos colegas de quarto), fomos almoçar baratinho num restaurante muito bom. A tarde ficamos por lá mesmo conversando, apareceu o Renato (do Black Drawing Chalks) com o Chuck Hipolitho. Mais conversa e mais cerveja, enquanto esperávamos uma amiga de Brasília chegar para os shows de sábado. De volta ao hotel e sem água para todo mundo tomar banho, acabamos chegando atrasados mais uma vez no Martim Cererê. Já haviam passado pelos palcos Evening (GO), The Backbiters (GO) e o Mini Box Lunar (AP), dava os seus últimos acordes, para então os goianos do Mugo subirem ao palco. O show animou o pouco público presente, que pedi músicas e cantava/berrava junto com Pedro, vocalista da banda. Pelos os seus mais de 2 milhões de acessos no Myspace talvez a banda merecesse mais.
Cassim & Barbária foi uma das grandes surpresas da noite. Achei que a banda mandava um folk rock e o que eu vi foi uma porrada. A banda não é tão pesada quanto o Mugo, mas também não é tão leve quanto eu imaginava. Eles se apresentaram com dois bateristas, que além de gordinhos e barbudos, ainda vestiam a mesma camisa. A dupla também se revezava nos efeitos sonoros. A grande atração do show era o baixista, Amexa, que ficou sério do começo ao fim da apresentação. Ele parecia estar em outra dimensão, às vezes, mas não ficou indiferente quando os amigos fizeram brincadeiras do lado de cá do palco.

O cansaço já estava batendo, mas por indicação de um amigo, nós não poderíamos perder o Los Lotus. Os argentinos, que não tem cara de argentinos, não da maneira em que vocês os visualiza na mente, fazem também um garage rock. Rock simples e direto, mas não com a mesma competência dos nossos amigos chilenos do Guiso, porém empolgaram.

Depois de bater um papo com o baixista da Grimskunk, seria uma injustiça não ver a banda. E mais uma porrada estava por vir, o som é uma mistura de rock com elementos do hardcore e até um pouco de rap. O show levantou a galera e a energia foi parar no palco. O vocalista principal, Franz Schuller, arranhou várias vezes o português para tentar se comunicar com a galera. Em certo momento disse: “Eu não sei falar português, mas vou tentar” e mesmo com dificuldade conseguiu. Engraçado ver que a língua dele sempre travava quando ia dizer: “Goiânia”. O grupo inteiro estava muito animado, mas o tecladista com certeza chama atenção. Ás vezes era penoso tirar uma foto, já que ele não parava de mexer a cabeça.

Uma parada para a cerveja, uma sentadinha e uma “aguinha”, enquanto Porcas Borboletas (MG) +Paulo Patife (SP) e Confronto (RJ) se apresentavam. As pernas queriam um tempinho para poder conhecer o Mama Rosin, ver o Black Drawing Chalks e claro, o Dirty Projectors.

O trio suíço Mama Rosin já poderia ser visto caminhando pelo Martim Cererê desde sexta-feira e sábado a tarde dando uma voltinha pela cidade. Quando o grupo começou a tocar, um susto. A banda é composta por um bateirista, um guitarrista e um... Sanfoneiro! Acha que não pode dar certo? Mas dá sim. O som alegre, nos é familiar, mas não dá para imaginar aquilo saindo da Suíça. Muito simpáticos, os meninos trouxeram barras de chocolate para presentear o público, mas quem se deu bem foi a fotógrafa perto do palco.


Os Black Drawing Chalks eram sim muito esperados naquela noite. Não foram poucas vezes que eu ouvi: “Hoje eu vim aqui para ver vocês, hein?”, enquanto conversava com algum deles. A banda entrou sozinha no palco, mas na terceira música, “My Radio”, o convidado Chuck Hipolitho pegou sua guitarra para agitar ainda mais a noite. Na meia-hora que tinham disponível, os goianos cantaram parte do disco “Life is a Big Holiday For Us”, lançado pela Monstro. Um dos motivos para Fabrício Nobre ser o convidado de honra no palco do BDC, “Esse é o orgulho lá de casa”, disse. E como não poderia deixar de ser, cantaram juntos “Burn, baby, burn”, do MQN. O show ainda contou com os “moshs” de Renato (tocando a guitarra) e Douglas, que saiu da bateria para Chuck tocar. Animado? Não tanto quanto o do MQN, mas eles estão no caminho.

Espera na porta do Pyguá para poder ficar bem pertinho do Dirty Projectors. Deu certo. Fiquei no canto direito do show, por isso as fotos tiveram um ângulo só. O show começou apenas com Dave e Angel Deradoorian cantando “Two Doves”, do último disco do grupo, Bitte Orca. Ao final da música parte do grupo entrou no palco com várias palmas e gritos ao fundo. O outra componente, Haley Dekle, entrou apenas na terceira música para emprestar a sua voz. O show que tinha tudo para ser parado tendendo para o sem graça, surpreendeu a todos que foram para ver a banda. O Dirty Projectors deixou o folk de lado e passaram para um show vibrante. Foi impressionante ver todas aquelas barulhinhos reproduzidos no palco, pelo teclado e pelas vozes das meninas. A áurea era de encantamento. Durante a apresentação é nítida a total dependência que os outros intregrantes da banda têm a Dave. Ele parece o maestro daquelas orquestra eletrônica, indie e até folk. O ponto alto rolou quando tocaram “Temecula”, “Stillness is the Move”, “No Intention” e “Remade Horizon” na sequência, apontando o final do show. Mas, por insistência, a banda voltou e mandou mais duas músicas no bis. Uma noite feliz. Brasília estaria nos planos apenas depois do meio-dia, quando teríamos que deixar o hotel. No caminho para cá, Jerivá, é claro!

Mais fotos no Flickr.

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