02 dezembro 2009

Goiânia Noise - 1° dia de cobertura

Chegamos ao Martim Cererê atrasados. Eu e mais dois amigos nos aventuramos em pegar a estrada a noite para poder assistir aos shows do Goiânia Noise de sexta-feira, dia 27 de novembro. A grande expectativa era conseguir assistir ao show da banda pernambucana Volver, mas não deu. Mesmo com o atraso de uma hora na programação, a chuva e os engarrafamentos na saída de Brasília fizeram com que nós chegássemos à Goiânia apenas às 22h. Já haviam passado pelos palcos/teatros/caixas d'água Pyguá e Yguá as bandas Sattva (GO), Hellbenders (GO), O Melda (MG), Rinoceronte (RS) e a Volver. Mesmo decepcionada, ainda havia toda uma noite pela frente e o Noise poderia sim me surpreender. Não conhecia muitas das bandas e resolvi que também não iria procurar nenhuma delas, mas ia me deliciar com o show de cada uma. Depois de passear um pouco pela arena, conhecer o stand da Converse, da Petrobrás, do estúdio, da Monstro, ver onde ficavam os banheiros, dar uma volta nas barraquinhas (local apelidado de shopping) e descobrir quanto ia custar a água, voltei para os shows.

No palco uma banda meio estranha. O vocalista parecia ter saído de um desfile de Alexandre Herchcovitch e ainda te fazia lembrar do Thom Yorke. O guitarrista tinha acabado de sair de um videoclipe do Weezer, o baixista fora integrante do Metallica e o bateirista...O bateirista era o único simples entre eles. O som da banda me agradou logo na primeira música, mas como tinha chegado atrasada, tive que passar por exatas 5 pessoas para descobrir o nome da banda. O que me surpreendeu, pois muitos ali dentro não sabiam qual era a proposta da banda, nem muito menos o nome dela, mas estavam lá dentro curtindo o show sem medo de ser feliz. O Milocovik faz uma mistura de rock com música eletrônica e lembrando um pouco Jumbo Elektro e todas essas bandas de rock que resolveram fazer essa mistura em seus últimos discos. Cito Franz Ferdinand, Killers, Friendly Fires, Rakes, mas há sim uma pitada brasileira e a cara dos meninos. O Milocovik tem apenas 3 anos de vida e um EP lançado (Sex Pack), só agora eles resolveram levar a banda a sério, como contou Gustavo (baixista da banda). Eles ainda tem muito o que crescer, mas já mandam bem na mistura de idiomas, cantam em inglês, espanhol e português.

Devidamente pulado, o show do Punch (GO), fui para o Vivendo do Ócio. Escutei a banda pela primeira vez no programa Senhor F e não gostei. Achei uma cópia deslavada do Arctic Monkeys e resolvi não escutar, mas ao vivo tive que dar o meu braço a torcer. Os meninos, que tem cara de ter 15 anos, mandam bem. O som fica mais pesado ao vivo e os amigos “antárticos” ficam para trás. Assim como o Milocovik, eles ainda tem todo um caminho pela frente e ainda precisam aprender como se portar em um palco. Porém, ainda são adolescentes e suas preocupações são outras. É por isso que as letras ainda não tem profundidade alguma.

O show seguinte era de uma banda que tinha um visual interessante. Um dos vocalistas e também guitarrista da banda, Alejandro Gómez, estava com óculos Rayban branco e parecia muito com De Martino do Ting Tings. O Guiso veio diretamente do Chile e faz um som bem rock, simples e direto, bem no estilo goiano. Quando bem feito, esse tipo de som não tem como desagradar e o Guiso arrancou várias palmas e gritos delirantes da galera. Além de terem aprendido alguns palavrões soltos durante a apresentação, Alejandro terminou agradecendo ao público, ao Fabrício Nobre e falando em português: “Espero que o Guiso volte ao Brasil mais vezes”.

O som pesado dos Devotos, que estão comemorando os seus 20 anos de carreira foram comemorados em um Cult Brasil, no Cult 22 e eu preferi guardar forças para assistir a combinação MQN (GO) + Walverdes (RS). “Um gordo e uma anão, o que poderia ser pior?”, questionou Gustavo "Mini", vocalista do Walverdes. Para muitos ali dentro, a pergunta era: “o que poderia ser melhor?”. As duas bandas se juntaram para um show especial na 15ª edição do Goiânia Noise e não decepcionaram. A energia no palco foi duplicada e jogada direto no público, que pulou sem parar. “Essa é a melhor coisa que eu já fiz na vida”, disse Fabrício Nobre quase no final do show. Foi aí que eles mandaram dois covers “os mais óbvios possíveis”. O primeiro, Black Sabath e para finalizar o show, Nirvana.
A noite estava perto do fim, mas a animação ainda estava grande. Para fechar o festival, o Móveis Coloniais de Acaju e Bocato. A fila era grande fora do teatro e o local ficou lotado. Teve gente que ficou do lado de fora batendo palmas e tentado participar do show. Um momento bonito de deixar qualquer brasiliense orgulhoso. A banda tocou músicas de seus dois discos e finalizou com "Copacabana" numa roda pequena e vibrante. Lá se foi a primeira noite do Goiânia Noise e ainda tínhamos que procurar um lugar para dormir.

Mais fotos do Flickr.

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