02 dezembro 2009

Cobertura Cerrado Virtual 2009

A sexta edição do Cerrado Virtual, que aconteceu no último final de semana, dias 27 e 28 de novembro, mesmo com sua megaestrutura pareceu um festival do improviso.

Na primeira noite marcada para começar as apresentações às 19h, o horário era tomado pela agitação e o corre-corre da produção para colocar tudo em seu lugar. Os shows começaram com quase duas horas de atraso e a primeira banda a se apresentar foi a brasiliense A Muringa. Fazendo um rock-maracatu para pouquíssimas pessoas. Soatá se apresentou antes dos goianos do Black Drawing Chalks, pois a vocalista Ellen Olléria, teria outra apresentação.

Após um show curto do Soatá, subiram ao palco os rockeiros do Black Drawing Chalks. O show foi enérgico como de praxe, alternando músicas do novo e do antigo álbum, que serviu como uma prévia do que poderia ser visto no dia seguinte no Goiânia Noise Festival, onde eles se apresentariam ao lado do guitarrista Chuck Hipolitho, ex-Forgotten Boys. Foram cerca de 40 minutos para um público pequeno e animado.

Depois dos goianos, o palco principal da arena foi tomado pela banda Manjahro. A banda faz uma mistura de reggae com rap e conseguiu animar alguns presentes. Estes se dividiam entre o palco e a tenda mix, que recebia o DJ Twin Brain. Com a ausência do Public Enemy, o ponto alto do festival foi adiantado. As homenagens a Tom Capone começaram com a apresentação de um vídeo emocionante sobre a trajetória e vida do produtor, e ainda depoimentos de artistas consagrados com quais o produtor trabalhou.

A primeira banda a prestar a homenagem foi a Peter Perfeito, na qual Tom tocou guitarra. O grupo não se apresentava há 11 anos. Fizeram um show curto, com apenas cinco músicas. Logo depois o palco foi tomado pelo Raimundos. Um show pesadíssimo, com guitarras á la Suicidal Tendencies.

Raimundos fez um show longo, com quase duas horas de duração e algumas participações especiais. O ex-baterista Fred Castro tocou em duas músicas: “Mulher de Fases” e “Puteiro em João Pessoa”. O “detonauta” Tico Santa Cruz cantou “Eu quero ver o Ôco” e mais duas de seu grupo carioca.

Tico assumiu que iria se apresentar em alguns shows junto com o grupo, mas que ensaios ainda faltavam. Para quase fechar o show, a ex-Penélope, agora em carreira solo, Érika Martins emprestou sua voz para “A Mais Pedida” e “Namorinho de Portão”. O final do show ficou por conta de familiares de Tom e do produtor Carlos Miranda dando uma canjinha.

Após o show de homenagem, o grupo Tropa de Elite se apresentou no outro palco. Por volta de 02h30 o grupo carioca O Rappa subiu ao palco, com várias declarações de Falcão ao amigo Tom Capone. A banda também se apresentou durante mais ou menos duas horas e o público cantou todas as músicas do início ao fim.

O segundo dia de festival não foi muito diferente do primeiro. Muitos atrasos e algumas alterações. A primeira banda a se apresentar foi a Roda na Banguela, que fez um show para um público menor que o da primeira noite. Após o primeiro show, a banda Na Lata fez seu show antecipado, pois os integrantes do Etno não apareceram. A produção não deu nenhuma nota sobre a ausência dos caras.

Logo depois, os maranhenses da Raiz Tribal agitaram o público com um reggae dançante. A noite continuou com seus improvisos e alterações de line-up. Os brasilienses do Jah Live se apresentaram por volta de 23h. Com alguns problemas técnicos, a banda seguiu em frente com seu show, que fez a platéia cantar algumas músicas do seu primeiro disco.

Outra alteração ocorreu, e o grupo paulista Farufyno se antecipou. A banda fez uma mistura de MPB e samba rock e agradou quem estava por perto. Com o show acontecendo no palco ‘menor’, o palco principal recebia a estrutura para a apresentação de Marcelo D2.

O carioca fez um show que animou grande parte do público, grande parte foi embora logo após o seu final. O ponto forte foi com Fernandinho fazendo beat box em ritmo de Seven Nation Army do White Stripes. Com uma leva de pessoas indo embora depois do show de D2, o ex-Planet Hemp B Negão subiu ao palco com seu mais novo projeto, Turbo Trio. Além de B Negão, o projeto conta com os DJs e os produtores Alexandre Basa e Tejo Damasceno. O show foi pra cima e animou o público, principalmente os que esperavam por músicas animadas e dançantes.

Após essa apresentação, B Negão corria para o palco principal onde aconteceria um dos shows mais esperados do festival. O Instituto prestou uma homenagem a Tim Maia digna de aplausos e atenção. Além de B Negão, o show do coletivo contou com participações de Thalma de Freitas, Carlos da Fé e Mc Kamal. Daniel Ganjaman comandava a trupe, que ainda tinha o saudoso Curumin na batera, e o multi-instrumentista Fernando Catatau na guitarra. O show permeou grandes músicas da fase racional de Tim. Canções como “Que Beleza”, “O Caminho do Bem” e “Energia Racional” levantaram aqueles que esperavam pela apresentação.

O público que estava presente parece não ter aproveitado bem a situação, já que não respondia aos pedidos do grupo, como por exemplo, palmas ou a participação entre uma música e outra. No final das contas, o festival conseguiu cumprir com suas metas, e se mostrou mais real do que virtual.

Nenhum comentário: