16 novembro 2009

Cobertura Planeta Terra 2009

São Paulo estava quente. Os termômetros marcavam 27°, mas a sensação térmica era muito maior. Os shows no Playcenter, local escolhido para abrigar a terceira edição de bem-sucedido festival Planeta Terra, estavam marcados para começar às 16h, com o sol ainda alto. Vale lembrar que estamos no horário de verão.

O sol era forte, mas já havia gente interessada em ouvir o trio cuiabano Macaco Bong debaixo dele. Alguns preferiram sentar na sombra artificialmente cedida pelo camarote. Escalados para abrir o festival, Bruno Kayapy, Ney Hugo e Yaianã Bertholo aproveitaram a oportunidade para tocar uma música nova, que caía super bem na ocasião. “Sol guente” havia sido nomeada naquele dia pelos seguidores da banda no Twitter. A banda também incentivou o download gratuito de seu disco, Artista Igual Pedreiro, disponível no site da Trama, pelo projeto Álbum Virtual. “Nós acreditamos nisso”, arrematou Ney.

Muito aplaudido, o Macaco Bong saiu do palco e deu lugar ao Móveis Coloniais de Acaju. A música alegre da banda contagiou a todos e mesmo quem estava quieto, bateu pelo menos o pé. A energia da banda passava do palco para o público e foram eles os responsáveis por um dos shows mais divertidos do dia. A receptividade do público foi a melhor possível. O pessoal obedecia às palmas pedidas por André, vibravam nos primeiros acordes das músicas, quando Xande resolveu tocar seu trombone com o pé, ou mesmo quando Paulo teve seu sax tocado por Fábio e Esdras. O show terminou com “Copacabana” e claro, a roda.

Sendo assim, nenhuma bandinha britânica com meia dúzia de singles poderia apagar a clima deixado pelos brasilienses do Móveis. O Maxïmo Park até que tentou. O vocalista Paul Smith, é muito performático, mas o show da banda foi bem irregular, como seu último disco Quicken the Heart. Paul agradeceu muito aos fãs, falando várias vezes, em português, “Obrigado”.

O Primal Scream já não parecia estar muito a vontade no palco. O show foi escuro, passando uma áurea dark no ar. A falta de carisma de Bobby Gillespie deixou transparecer que aquele show era apenas mais uma obrigação da “apertada” agenda do grupo. O setlist foi especial para um festival e contou com desde “Country Girl”, até a super conhecida “Rocks”. O som também não ajudou muito, além da pressão baixa, o grupo teve problemas com uma das guitarras.

Ao contrário do que se assistiu com o Sonic Youth. O som estava alto o suficiente para fazer com que todos entrassem no clima da banda. Pela terceira vez no Brasil (as outras foram em 2000 e 2005), a banda não falou muito no palco, mas nem precisou já que a maioria das pessoas estava hiponotizada por eles. O show, como afirmou Kim Gorgom à Folha, foi baseado no último disco, “The Eternal”. A guitarrista da banda e única mulher, foi um espetáculo à parte. Com seu vestido prateado e cabelos loiros na cara, a senhora Gordom ousou em passos e até se jogou no chão. No começo do show, uma chuva fina começou a cair e os setlists tiveram que ser trocados várias vezes. Nada que atrapalhasse a apresentação do grupo, nem esfriasse o público. Embora o calor tenha sido amenizado depois disso.

Para fechar a noite, a segunda e mais esperada atração, Iggy Pop & The Stooges. O show era especialmente do clássico disco, Raw Power, lançado em 1973. A música que abriu a apresentação foi justamente à homônima ao disco. O número de pessoas que corriam dos brinquedos, da praça de alimentação e dos caixas foi impressionante. Duas músicas depois, Iggy Pop disse: “Eu estou sozinho aqui em cima” e chamou alguns rapazes para subirem ao palco. Os “alguns” acabaram se transformando em vários e seguramente havia cerca de 100 pessoas por lá. O problema aconteceu na hora em que a música acabou, uns não queriam descer e outros queriam falar com Iggy antes de saírem de lá de cima. O irreverente vocalista nem se comoveu, apertou a mão de algumas e assim que pode, foi para o lado vazio do palco e gritou para a banda: “Eu estou esfriando aqui!”, convocando-os a tocar mais uma. Para ele o importante era não desacelerar.
O vovô Iggy mostrou que já não tem a mesma energia de antes, mas a sua loucura continua a mesma. Apenas com uma calça jeans preta (como de praxe), Pop andou para lá e para cá no palco, sempre incitando o público. As calças iam caindo, mas ele nem ligava. Continuava a cantar como se nada estivesse acontecendo, embora soubesse muito bem. Além das clássicas de Raw Power, Iggy também cantou músicas de sua carreira solo, como “The Passenger” e “Lust For Life”, que fechou a noite de shows. “Obrigada pela adorável noite”, despediu-se Iggy do público com sua bunda de fora.

Todas as atrações tocaram no palco principal. Pelo outro palco passaram Ex!, Copacabana Club, Patrick Wolf, Metronomy e The Ting Tings. O duo britânico fez um show animado e cantou todas as músicas de seu único e primeiro disco. Porém, foi meio estranho ver Katie White (vocalista e guitarrista) se esforçando em uma guitarra propositalmente desligada. Jules de Martino mostrou que é o cara da banda. Ele é responsável pelos samples, bateria, baixo e até pela guitarra programada que Katie finge tocar no palco.

Nós dois palcos ainda teriam DJs, que ficaram sem sua tenda este ano. Passaram por lá Étinne de Crécy, o duo N.A.S.A e Anthony Rother.

A cobertura especial do Planeta Terra 2009, também abriu as portas para o Drops Cultural inaugurar o seu Flickr. Aproveite!

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