30 novembro 2009

Them Crooked Vultures - Them Crooked Vultures


Uma banda composta por Josh (Queens of the Stone Age) Homme, John (Led Zeppelin) Paul Jones e Dave (Nirvana, Foo Fighters) Grohl só poderia ser "taxada" de supergrupo, como é o caso do Them Crooked Vultures. Os primeiros segundos do disco de estréia já mostram o porquê disso.

A banda remete a tempos antigos, onde Dave Grohl explodia na bateria da banda de Kurt Cobain e John Paul Jones fazia sons psicodélicos no baixo do Led Zeppelin. Josh Homme continua assumindo a guitarra e fazendo o típico “stone rocker” que o consagrou no QOTSA.

Them Crooked Vultures (o disco) conta com 13 músicas e este é um de seus defeitos. Algumas faixas se estendem sem necessidade, deixando o disco muito grande. Porém, isso não tira o brilho de um disco que aponta como um dos melhores do ano. Destaque para “Mind Eraser, No chaser” que tem Josh e Dave nos vocais e “Dead and friends” que talvez seja a que mais lembre a banda ‘principal’ de Josh.

No decorrer da audição, Them Crooked Vultures te envolve numa viagem musical. Canções como “Warsaw Or The First Breath You Take After You Give Up” são a prova disso. As músicas se encaixam e do meio para o final, o álbum começa a explodir em psicodelia e em riffs, que dispensam qualquer tipo de comentário.Lançado há cerca de três meses, o Them Crooked Vultures traz um disco daqueles que não aparecem todo dia.

25 novembro 2009

Videoclipe - Vampire Weekend


Cousins

Entrevista - Stela Campos

Stela Campos é uma daquelas artistas que não para encaixar em apenas um estilo. Em seu novo disco, Mustang Bar, ela brinca com o tropicalismo, o kraut rock, rock sessentista, a chanson francesa e mesmo com tantas influências o álbum encontra uma unidade. Em 48 horas de estúdio (não corridas, é claro), Stela conseguiu gravar todo o disco, que de certa forma é uma continuação do anterior Hotel Continental (2005). O trabalho foi gravado tão rápido, porque a cantora já tinha grande parte das canções prontas. A produção foi dividida entre Clayton Martim (Cidadão Instigado) e Missionário José (que já trabalhou com Bonde do Rolê, Mombojó), já as composições ela divide com o companheiro de palco e marido Luciano Buarque.


A cantora paulista começou sua carreira na década de 90, em Recife e embora não seja lembrada quando se fala no manguebit, teve sua participação no movimento. Agora já mais experiente, a cantora conversou conosco (via e-mail) sobre as particularidades deste novo trabalho, além de falar um pouco de sua trajetória e do novo mercado fonográfico.

Drops Cultural: Por que você foi morar em Recife? E como a cidade te influenciou para este novo disco?

Stela Campos: Eu estava numa fase de transição na minha vida pessoal e na ocasião não havia nada me prendendo em São Paulo. Fui para Recife para tocar num festival chamado Summerstage, que foi o embrião do Abril pro Rock, e pretendia prolongar a viagem por mais umas 6 semanas. Tirar férias mesmo. Uma vez lá, me envolvi em vários projetos e fui ficando, ficando... Num certo ponto, me vi bem estabelecida lá, trabalhando como locutora e repórter de TV – paralelamente a minha carreira musical, que, do ponto de vista autoral, criativo, floresceu muito nestes 6 anos que estive por lá.
Mustang Bar é um bar lendário da cidade, mas nada glamouroso – ou seja, toda a boêmia recifense já passou por lá em algum momento, mas não é necessariamente um “point” da cena local. Não diria que é uma homenagem à cidade, nem uma inspiração exclusivamente recifense. É mais como um cenário para comportar personagens que poderiam sair de qualquer cidade grande.

Drops Cultural: A cidade acabou por ser tornar uma influência na sua música e na de seu parceiro e marido, Luciano Buarque. Foi de lá que vocês tiraram todos esses personagens fictícios e (também) vivenciais para colocar nas músicas?

Stela Campos: Sim. É o nosso habitat natural. Sem dúvida, é de onde a gente pesca as imagens. Mas também não é uma regra. A gente vem trabalhando em coisas (futuras) que mudam de rumo, que falam em 1º pessoa – e Mustang Bar já traz um pouco disso também, principalmente as faixas em inglês, tipo “Supermarket Dreams”.

Drops Cultural: Este é o seu disco mais roqueiro. O que te fez voltar ao rock? Você passou a escutar coisas diferentes? Voltou-se mais para o rock?

Stela Campos: Não. Eu nunca me desliguei do rock. O que acontecia é que eu estava num esquema de produção que me dava mais liberdade criativa dentro do formato eletrônico. Mas minha bagagem, que parte do Velvet, Bowie e Patti Smith, sempre esteve presente de alguma forma. O curioso é que, no auge da onda eletrônica, quando me chamavam para os eventos segmentados e tal, eu me sentia meio como uma impostora, uma roqueira deslocada.

Drops Cultural: Mustang Bar pode ser considerado uma sequência do Hotel Continental, seu disco anterior?

Stela Campos: Acho que sim. A gente não teve a intenção, mas tem uma continuidade tanto na temática como no som. A última faixa de Hotel Continental foi produzida à parte, com o Clayton Martin, que produziu Mustang Bar comigo e Missionário José. De fato, Mustang Bar começa onde Hotel Continental terminou.

Drops Cultural: Você é uma artista um pouco difícil de classificar em algum movimento do rock. Não dá para dizer que você folk, se você tem influências do tropicalismo. E nem dá para dizer que você é tropicalista, sendo que vocês tem influências das “chansons franceses”. Você não acha que isso complica um pouco para o ouvinte? Ele não fica meio perdido ao escutar Stela Campos? Ou você vê uma unidade (unanimidade) no seu trabalho?

Stela Campos: A linha autoral é a única coisa que importa. Você pode ouvir um disco do Gainsbourg da fase chanson, da fase pop, art rock e reggae, mas sempre vai reconhecer o cara por trás de tudo. O Bowie é um pouco assim – o Beck também. Me identifico com isso e, de uma forma natural, sem me forçar em exercícios de estilo, acho que venho trilhando um caminho parecido.

Drops Cultural: O Mustang Bar foi um disco que demorou a sair, mas que foi gravado muito rapidamente, já que grande parte da sua pré-produção dele foi feito no seu estúdio caseiro. Mas porque a demora para lançar? Quais foram os tramites que atrasaram?

Stela Campos: Vários fatores: primeiro a mixagem e os ajustes finais, depois a masterização, a capa e o projeto gráfico, e por último o processo de prensagem e de elaboração do material de divulgação. Levou quase um ano para sair, mas é assim mesmo (no esquema indie).

Drops Cultural: Li numa entrevista em que você diz ser “indispensável o disco físico” e que até lançaria apenas em vinil, se isso fosse possível. Essa não é uma visão muito arcaica no meio de tanta tecnologia? Você, por exemplo, lança Eps e singles virtuais em seu site. Essa é sua maneira de se adequar ao mercado?

Stela Campos: Sou adepta do mp3, vivo baixando música e também pretendo dar continuidade aos meus lançamentos virtuais (sim, é uma maneira de se adaptar ao mercado; um formato bem mais viável em termos econômicos). Mas também sou uma colecionadora de discos à moda antiga. Gosto de ter o disco em mãos, de folhear o encarte. Sou totalmente a favor da resistência do disco físico (seja CD ou vinil). Não acho que o vinil seja arcaico. Não é toa que o LP está voltando ao mercado: ele representa uma reação às mídias descartáveis, à poluição informativa que vivemos. O mp3 é uma grande invenção, mas também é preciso olhar seus efeitos colaterais. Hoje em dia, o cara põe zilhões de álbuns no iPod, mas dificilmente irá escutar cada um deles mais de duas vezes (se muito). Está criando uma geração de ouvintes superficiais, o que é péssimo. Os discos precisam ser degustados com calma. Só assim se cria uma boa base de referências.

Drops Cultural: Hoje, muito artistas estão fazendo não só o disco, mas também outras versões de seus lançamentos, com livretos, vinil, pendrive, disco com músicas extras... Mais uma infinidade de coisas parar chamar atenção dos compradores. Você já pensou em alguma coisa para chamar mais atenção para o seu trabalho?

Stela Campos: Sim. A idéia dos singles virtuais é bem isso. Há outros planos também, mas como depende de vários fatores, prefiro divulgar só quando estiverem em vias de se concretizar.

Drops Cultural: O João Augusto, dono da Deckdisc, comprou a única fábrica de vinil na América Latina, que fica no Rio de Janeiro, a Polysom. Ele disse que mesmo com a fábrica, os impostos ainda são os grandes vilões da indústria. Então ainda teremos preços altos. Você acha que mesmo assim, vale a pena apostar neste mercado? Já entrou em contato para fazer algum relançamento por lá?

Stela Campos: Antes da Polysom fechar (e ser comprada), eu pedi o orçamento para prensar um EP de covers de Daniel Johnston, que acabei lançando no formato virtual. Na época, eles estavam bem no meio da crise e retornaram o e-mail explicando que não estavam mais fechando negócios, por assim dizer. A situação ainda estava indefinida quando gravamos Mustang Bar, portanto nem pensamos a respeito. Mas torço pela empreitada e espero um dia, finalmente, poder prensar alguma coisa em vinil.

Drops Cultural: Você canta em três línguas. Sempre pergunto para os artistas em que língua é mais fácil compor. Qual você prefere?

Stela Campos: Inglês é a mais fácil, por causa das minhas influências – que são 80% estrangeiras, tenho que assumir. Mas a gente prefere trabalhar no idioma português, por uma questão de idealismo. Acontece que o processo de acabamento das letras é bem mais lento, complicado. Por conta disso, a gente tem um excedente de canções em inglês engavetadas. Está nos nossos planos lançar esse material de alguma forma, talvez num projeto paralelo – ainda não sei. Já o francês é mais uma brincadeira. Não domino a língua e fiz a letra (de “Le Captaine”) com ajuda de uma amiga franco-canadense.

Drops Cultural: Como você conheceu o Luciano? Vocês passaram de músicos-parceiros para marido e mulher, por exemplo? Já teve alguma discussão musical que atrapalhou a vida pessoal de vocês?

Stela Campos: A gente se conheceu na noite recifense. Ele já fazia músicas, mas demorou um certo tempo até meu trabalho se integrar ao dele. A gente está junto desde 1995 e a colaboração mais efetiva dele vem a partir de 2002 (em Fim de Semana). Ele pensa mais no conceito, nas letras, e eu mais na parte musical, nos arranjos. É uma parceria que dá certo porque um completa o outro. Basicamente todas as músicas do Luciano têm dois acordes ou três, mas ele vai além ao compor as linhas vocais, que é a forma como ele sugere arranjos. Entre 4 paredes, a parceria tem momentos espinhosos, claro, pois somos francos um com o outro. Se ele fizer alguma coisa que eu não goste, falo na hora – e vice-versa.

Drops Cultural: O disco contou com produção e também participação de dois caras conceituados no meio independente. Como rolou essa parceria?

Stela Campos: O Clayton Martin (Cidadão Instigado) toca comigo desde os últimos shows de Fim de Semana (2002). Ele produziu uma faixa de Hotel Continental, “Girl From 33”, que, aliás, citei no início dessa entrevista. A partir daí, tornou-se uma figura crucial no meu som. O Missionário José eu conheci em Recife. Lá, gravei com ele uma cover surf-cabaré de “Sabiá” para o disco “Baião de Viramundo”, tributo de Luis Gonzaga, que foi bastante comentado na época. A gente se reencontrou há uns dois anos aqui em São Paulo. Convidei ele para um pocket show folk que estava montando e o entendimento mútuo que surgiu daí fez dele uma escolha natural para Mustang Bar.

Drops Cultural: Para quem não conhece Stela Campos, o que esperar deste CD?

Stela Campos: É um disco de rock psicodélico, intercalado por momentos folks, mais etéreos. Também faz ponte com kraut rock e com o samba rock (em "Ligia Hello Kitty"), que é algo que eu nunca fiz antes. As letras falam sobre mulheres vingativas, diabéticos solitários, bêbados e prostitutas ressentidas, entre outras coisas.

Fotos do Myspace. Agradecimento especial à Agência Alavanca.

Supersuckers cancelam shows no Brasil



Quem estava com as malas prontas para a 15ª edição do Goiânia Noise, agora irá com menos empolgação ao festival. A banda norte-americana Supersuckers cancelou ontem os shows que faria no Brasil. O motivo? Problemas com o visto. Mas faltou um pouco de cuidado Dan "Thunder" Bolton e companhia, já que eles largaram dois passaportes em Los Angeles, deixando para trás a possibilidade de conseguir o visto na Argentina, onde tocam antes.
Os Supersuckers iriam se apresentar dia 27 em Goiânia e dia 28, no Clash Club, em São Paulo. Quem quiser seu dinheiro de volta (no caso de São Paulo, tem-se que), procure a organização dos shows. E está acabando o prazo para participar da promoção "Hands On" da Converse/Goiânia Noise. Segue o vídeo:

6ª edição do festival Cerrado Virtual


O festival Cerrado Virtual chega a sua sexta edição e promete balançar a capital neste fim de semana. Serão mais de 30 atrações, dos mais variados estilos. Entre as atrações estão bandas como O Rappa, Black Drawing Chalks, Marcelo D2, Turbo Trio, e vários outros.

Um dos atrativos do festival é uma homenagem ao produtor e músico Tom Capone, revelado em Brasília. O tributo acontece na primeira noite do festival e vai se dividir em três partes: a primeira com show da banda brasiliense Peter Perfeito, da qual Tom foi guitarrista e produtor. A segunda homenagem é com os Raimundos, que contará com as participações de Érika Martins e Tico Santa Cruz. Para finalizar, a banda que Tom Capone era muito próximo, os cariocas d'O Rappa sobem ao palco.

A programação do festival contaria com a presença dos norte-americanos do Public Enemy, mas um atraso na liberação de recursos adiou a vinda da banda. Agora, eles se apresentam dia 12 de dezembro em local a definir. Além das bandas, o evento terá com uma tenda mix, que passará por várias vertentes da música eletrônica e derivados.

O festival se realiza nos dias 27 e 28 de novembro a partir das 19h, no elevado do estacionamento do Estádio Mané Garrincha.

Os ingressos estão saindo a R$ 20,00 (cada noite) ou R$30,00 (passaporte para os dois dias). Os pontos de venda são a Mormaii (Brasília Shopping, Pontão do Lago sul, Conjunto Nacional e Pátio Brasil), Pizzaria Dom Bosco (Taguatinga), Be Hard Esportes radicais (109 norte) e na Melodia (706 norte). A programação completa você confere no site do festival.

22 novembro 2009

Dirty Projectors - Bitte Orca


Tendências eletrônicas, arranjos vocais sofisticados, produção caprichada, e mais alguns quesitos que chamam atenção para Bitte Orca, o mais novo disco do Dirty Projectors, projeto do músico Dave Longstreth.

As vocalistas Angel Deradoorian e Amber Coffman, dão a calmaria que contrasta com a parte agitada do disco, como na faixa “Stillness is the Move” (videoclipe abaixo), que abusa do experimentalismo, em uma mistura envolvente de vocais e instrumentos.

O disco te leva numa viagem entre indie (pop), música eletrônica, uma pitada de experimentalismo, e uma levada de rock, que sugestivamente remete ao Vampire Weekend. Não por acaso, Erza Koenig fez parte do grupo em outros carnavais. A diferença entre Bitte Orca e o anterior Rise Above (Dead Oceans, 2007) é percebida de cara. No álbum anterior, Dave escolheu onze faixas do disco Damaged do Black Flag para dar uma cara nova a cada uma. Em Bitte Orca, a autoria é completa e a estrutura da banda com seus seis integrantes, é máxima. Dave acerta a mão em um disco de nove faixas, com pouco mais de trinta minutos.

Referências é o que não faltam ao disco. Encontramos pitadas de Of Montreal na faixa “Useful Chamber”. E uma garimpada no som parecidíssimo com os conterrâneos do Animal Collective e seu Merriweather Post Pavilion (2009). Não é a toa que o álbum é lançado pela Domino Records, a mesma do Animal Collective, e ainda, do Franz Ferdinand.

O Dirty Projectors é uma das atrações do 15° Festival Goiânia Noise e toca no sábado, dia 28 de novembro. Veja a programação no site


Stillness is the Move

17 novembro 2009

15ª edição Goiânia Noise Festival

O Goiânia Noise Festival chega a sua 15ª edição com muito peso em suas costas e muito aprendizado. Este ano, há uma programação especial, com shows rolando por vários lugares de Goiânia em 5 dias de apresentações. Os nomes são os mais diversos. Tem Siba tocando com Roberto Corrêa, Volver, Supersuckers, Dirty Projectors, Móveis Coloniais de Acaju com Bocato...
Ao mesmo tempo, também rolam palestras, mostra de filmes, além de uma exposição contando os 15 anos do festival por meio de 15 artistas e cartunistas, que retrataram o festival nestes anos.

O festival também fechou uma parceria com a Converse. Para participar da promoção "Hands On", você tem que fazer uma frase com o título de três músicas das diferentes atrações do Goiânia Noise. Os donos das 30 melhores frases poderão customizar um All Star estilo Chuck Taylor, ganhando assim um tênis exclusivo.

16 novembro 2009

Cobertura Planeta Terra 2009

São Paulo estava quente. Os termômetros marcavam 27°, mas a sensação térmica era muito maior. Os shows no Playcenter, local escolhido para abrigar a terceira edição de bem-sucedido festival Planeta Terra, estavam marcados para começar às 16h, com o sol ainda alto. Vale lembrar que estamos no horário de verão.

O sol era forte, mas já havia gente interessada em ouvir o trio cuiabano Macaco Bong debaixo dele. Alguns preferiram sentar na sombra artificialmente cedida pelo camarote. Escalados para abrir o festival, Bruno Kayapy, Ney Hugo e Yaianã Bertholo aproveitaram a oportunidade para tocar uma música nova, que caía super bem na ocasião. “Sol guente” havia sido nomeada naquele dia pelos seguidores da banda no Twitter. A banda também incentivou o download gratuito de seu disco, Artista Igual Pedreiro, disponível no site da Trama, pelo projeto Álbum Virtual. “Nós acreditamos nisso”, arrematou Ney.

Muito aplaudido, o Macaco Bong saiu do palco e deu lugar ao Móveis Coloniais de Acaju. A música alegre da banda contagiou a todos e mesmo quem estava quieto, bateu pelo menos o pé. A energia da banda passava do palco para o público e foram eles os responsáveis por um dos shows mais divertidos do dia. A receptividade do público foi a melhor possível. O pessoal obedecia às palmas pedidas por André, vibravam nos primeiros acordes das músicas, quando Xande resolveu tocar seu trombone com o pé, ou mesmo quando Paulo teve seu sax tocado por Fábio e Esdras. O show terminou com “Copacabana” e claro, a roda.

Sendo assim, nenhuma bandinha britânica com meia dúzia de singles poderia apagar a clima deixado pelos brasilienses do Móveis. O Maxïmo Park até que tentou. O vocalista Paul Smith, é muito performático, mas o show da banda foi bem irregular, como seu último disco Quicken the Heart. Paul agradeceu muito aos fãs, falando várias vezes, em português, “Obrigado”.

O Primal Scream já não parecia estar muito a vontade no palco. O show foi escuro, passando uma áurea dark no ar. A falta de carisma de Bobby Gillespie deixou transparecer que aquele show era apenas mais uma obrigação da “apertada” agenda do grupo. O setlist foi especial para um festival e contou com desde “Country Girl”, até a super conhecida “Rocks”. O som também não ajudou muito, além da pressão baixa, o grupo teve problemas com uma das guitarras.

Ao contrário do que se assistiu com o Sonic Youth. O som estava alto o suficiente para fazer com que todos entrassem no clima da banda. Pela terceira vez no Brasil (as outras foram em 2000 e 2005), a banda não falou muito no palco, mas nem precisou já que a maioria das pessoas estava hiponotizada por eles. O show, como afirmou Kim Gorgom à Folha, foi baseado no último disco, “The Eternal”. A guitarrista da banda e única mulher, foi um espetáculo à parte. Com seu vestido prateado e cabelos loiros na cara, a senhora Gordom ousou em passos e até se jogou no chão. No começo do show, uma chuva fina começou a cair e os setlists tiveram que ser trocados várias vezes. Nada que atrapalhasse a apresentação do grupo, nem esfriasse o público. Embora o calor tenha sido amenizado depois disso.

Para fechar a noite, a segunda e mais esperada atração, Iggy Pop & The Stooges. O show era especialmente do clássico disco, Raw Power, lançado em 1973. A música que abriu a apresentação foi justamente à homônima ao disco. O número de pessoas que corriam dos brinquedos, da praça de alimentação e dos caixas foi impressionante. Duas músicas depois, Iggy Pop disse: “Eu estou sozinho aqui em cima” e chamou alguns rapazes para subirem ao palco. Os “alguns” acabaram se transformando em vários e seguramente havia cerca de 100 pessoas por lá. O problema aconteceu na hora em que a música acabou, uns não queriam descer e outros queriam falar com Iggy antes de saírem de lá de cima. O irreverente vocalista nem se comoveu, apertou a mão de algumas e assim que pode, foi para o lado vazio do palco e gritou para a banda: “Eu estou esfriando aqui!”, convocando-os a tocar mais uma. Para ele o importante era não desacelerar.
O vovô Iggy mostrou que já não tem a mesma energia de antes, mas a sua loucura continua a mesma. Apenas com uma calça jeans preta (como de praxe), Pop andou para lá e para cá no palco, sempre incitando o público. As calças iam caindo, mas ele nem ligava. Continuava a cantar como se nada estivesse acontecendo, embora soubesse muito bem. Além das clássicas de Raw Power, Iggy também cantou músicas de sua carreira solo, como “The Passenger” e “Lust For Life”, que fechou a noite de shows. “Obrigada pela adorável noite”, despediu-se Iggy do público com sua bunda de fora.

Todas as atrações tocaram no palco principal. Pelo outro palco passaram Ex!, Copacabana Club, Patrick Wolf, Metronomy e The Ting Tings. O duo britânico fez um show animado e cantou todas as músicas de seu único e primeiro disco. Porém, foi meio estranho ver Katie White (vocalista e guitarrista) se esforçando em uma guitarra propositalmente desligada. Jules de Martino mostrou que é o cara da banda. Ele é responsável pelos samples, bateria, baixo e até pela guitarra programada que Katie finge tocar no palco.

Nós dois palcos ainda teriam DJs, que ficaram sem sua tenda este ano. Passaram por lá Étinne de Crécy, o duo N.A.S.A e Anthony Rother.

A cobertura especial do Planeta Terra 2009, também abriu as portas para o Drops Cultural inaugurar o seu Flickr. Aproveite!

Pontos Altos e Baixos do Planeta Terra 2009

Organização: os horários foram respeitados e os atrasos foram mínimos. Receber um porta bituca e programação na entrada foi muito bom, para que ninguém ficasse perdido e pudesse fazer o seu itinerário sem perder os shows que gostaria de ver. Ter a estrutura do parque também foi bom já, pois tínhamos banheiros (usar banheiros químicos é horrível, mas eles também estavam lá para eventualidades). Outro destaque foi a limpeza.

Brinquedos: ter 90% dos brinquedos do Playcenter funcionando e liberados foi sensacional. Dava para assistir a um show e no intervalo sair correndo para a montanha-russa, por exemplo. Isso deixou o ambiente bem mais leve.

Entrevistas: durante os intervalos rolavam umas entrevistas com as bandas e pessoas que passavam pelo festival, para entreter a galera, como que aconteceu no ano passado. Foi legal ver Macaco Bong, Primal Scream, CSS, Maxïmo Park, mas o pessoal vacilou quando resolveu colocar Marcos Pasquim, o cara do Fresno e Paulo Ricardo. As vaias foram merecidas.

Programação: o festival acertou em trazer Sonic Youth e Iggy Pop & The Stooges como cabeças, mas parece que eles gastaram tanto com essas atrações, que acabaram não trazendo atrações menores (internacionais) bacanas, como Foals, Spoon e Animal Collective no ano passado.

Praça de alimentação: os preços eram altos demais, por comidas que enchiam de menos. Foi melhor esperar sair da arena e comer um cachorro-quente duvidoso na saída do show.

Transporte: colocar um ônibus no metrô da Barra Funda direto para a Playcenter foi uma sacada de mestre. Na saída dos shows é que foi complicado. Era difícil encontrar um ônibus ou táxi livre e quem foi de carro, teve que pagar horrores para estacionar por perto. A produção do evento poderia ter feito alguma parceria com a prefeitura ou com uma agência de táxi, não só para encontrarmos disponíveis, mas também para pagar um preço mais camarada.
Fica a dica do Skol Beats, que preparou ônibus, que deixavam o pessoal em pontos estratégicos de São Paulo. Assim, quem morava por perto podia ir andando para casa. (sugestão tirada de uma lista de discussão).

Ônibus do Terra


Uma das promoções que estavam rolando para você entrar de graça no Planeta Terra era a do ônibus, que eu já havia falado por aqui.

Era simples. Você entrava num ônibus virtual que estava “bombando”, ou criava um seu e o fazia bombar de seguidores. Quem tivesse mais seguidores, ganhava ingressos para levar os amigos e acesso a um ônibus de verdade estacionado na arena dos shows para assistir a tudo de camarote. Os seguidores ainda teriam que lutar pelos ingressos, já que apenas 15 deles sairiam vitoriosos. Eles ganharam um par de ingressos para levar quem quisessem para os shows. A disputa foi acirrada e as campanhas passaram por orkuts, twitters, facebooks e todas as redes sociais possíveis.

Rodolfo Nunes, 28 anos, foi um dos contemplados. Ele ficou em 10° lugar e trouxe o amigo junto com ele. O biólogo de Niterói (Rio de Janeiro) ficou sabendo da promoção pelo site do festival. Fez uma pequena pesquisa dos ônibus mais cheios e passou a seguir o da Twittes. A campanha foi mais “acanhada”. Rodolfo passou a mandar e-mails para toda a sua rede pedindo que votassem nele e que encaminhassem para os amigos. Deu certo. Perguntado sobre quem queria ver, não hesitou: “Vim para ver o Primal Scream, Sonic Youth e o Iggy Pop. Essa lenda viva.”, disse o biólogo.

No ônibus as mordomias eram as melhores. Tinha cerveja (Heinecken), água, energético, salgadinho, massagem, maquiagem e discotecagem. As picapes foram comandadas pela dupla “Chicks in Charge”, que tocavam nos intervalos dos shows. As moças tem uma noite especial no Milo Garagem, em Higenópolis.

O ônibus, portanto, foi aprovado por todos que passaram por lá. Só poderia mesmo ter ficado um pouco mais perto do palco.

13 novembro 2009

Videoclipe - Flaming Lips


Watching The Planets

Você viu o Wayne Coyne (vocalista do Flaming Lips) peladão? Então assiste de novo! (Não vai ver esse clipe no trabalho, hein?!)

Pavement deve lançar inéditas em 2010

Spiral Stairs, guitarrista do Pavement, disse em entrevista à NME, que ano que vem a banda pode lançar um disco só de inéditas. O álbum deverá mesclar músicas antigas e conhecidas do grupo com faixas novinhas em folha.


O show, que marca o retorno do Pavement, será dia 1° de março na Austrália.

Videoclipe - Weezer


(If You're Wondering If I Want You To) I Want You To

Watson no cinema


Os meninos do Watson não fizeram um super filme sobre a trajetória da banda. Mas se você curte cinema, a dica é comparecer no Cine Academia e conferir o filme "Rua dos Bobos" (de Juliana Martins) que tem a trilha sonora da banda brasiliense.

Estrelado por Mariana Lima, o média-metragem conta a história de uma menina que encontra o apartamento de seus sonhos na Rua dos Bobos, mas acaba descobrindo que as coisas não são tão perfeitas como ela imaginava.

"Rua dos bobos" é exibido dentro do XI FIC Brasília (que está com uma programação invejável. Este final de semana tem "A Todo Volume") neste sábado, às 21h e domingo, às 18h. As sessões são gratuitas.
Aproveitando o ensejo, o Watson lançou na última sexta-feira (dia 06 de novembro) o single de seu primeiro disco, "Asa belhas". Não pude comparecer, pois estava em São Paulo.

Céu - "Vagarosa"


Já dizia o velho ditado: “me diga com quem andas, que te direi quem és”. A cantora Céu não poupou boas companhias para o seu novo disco e o trabalho não poderia ter uma qualidade inferior.

Tivemos que esperar 3 anos, para poder ouvir músicas novas de Céu, que emprestou a sua voz a alguns projetos como o 3namassa de Pupilo e Dengue da Nação Zumbi. Os dois, junto com Lúcio Maia formam os Los Sebozos Postizos e participam da releitura para a canção “Rosa Menina Rosa”, de Jorge Benjor. Sentiu o bom gosto da moça?
Céu ainda convidou Luiz Melodia para cantar “Vira-Lata” e Thalma de Freitas e Anelis Assumpção estão em “Bubuia”. Para tocar, temos Guizado em “Nascente”, Bnegão em “Cordão da Insônia”, Chiquinho do Mombojó e Bactéria do Mundo Livre S/A nos teclados, Catatau do Cidadão Instigado nas guitarras de “Espaçonave” e Curumin dando um upgrade na bateria.

Mesmo com esse tanto de gente de tão alto quilate, Céu não perde o compasso e na malemolência já ditada no homônimo primeiro disco, ela reina majestosa em Vagarosa. O nome inclusive é um contraponto a esse tempo em que vivemos, onde a busca pela informação segue tão frenética.

Aos seus 29 anos e com uma filhinha, Céu se sente mais mulher e sensual do que no álbum anterior. É por isso que ela passa pelo samba, reggae, trip hop, dub, algumas vezes jazz e também blues, como em “Espaçonave” sem medo de errar e o melhor, ela não erra. O motivo é simples, ela está fazendo o que gosta e se sente à vontade. O instrumental segue tranqüilo, mais orgânico, dando ênfase a bela voz da cantora paulista.

Vagarosa teve produção da própria Céu, com colaboração de Gui Amabis, Gustavo Lenza e Beto Linhares. A cantora chega à Brasília dia 28 de novembro e se apresenta no Teatro Brasília, antigo Espaço Brasil Telecom.

11 novembro 2009

Pixies libera EP ao Vivo


O Pixies fez recentemente uma série de shows para comemorar os 20 anos do álbum Doolitte e para fazer um agrado aos fãs, a banda disponibilizou em seu site oficial um Ep com as músicas:

01. “Dancing the Manta Ray”
02. "Monkey Gone To Heaven”
03. "Crackity Jones”
04."Gouge Away”
Todas elas farão parte de um CD e DVD ao vivo.

Videoclipe - Muse


Undisclosed Desires

1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer


Se você está sem tempo, conheça alguém que pode chafurdar a internet e te mostrar coisas legais. O site No Brasil fez teve o trabalhar de juntar todos os "1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer", do livro de Robert Dimery, e disponibilizou tudo para download. Eu já estou baixando aqueles que ainda não ouvi. Comece você também!

Videoclipe - Eddie


Eu tô cansada dessa merda

Them Crooked Vultures disponibiliza audição do disco



O Them Crooked Vultures não para de ser notícia. Ontem os grupo formado por Josh Homme, Dave Grohl e John Paul Jones fez um canal especial no Youtube e disponibilizou todas as treze faixas do disco, marcado para sair dia 17 de novembro, em streaming.


Será que eles vem pelo Brasil?

Videoclipe - Julian Plenti


Games for days

09 novembro 2009

Franz Ferdinand em Brasília

Agora é fato. A banda escocesa Franz Ferdinand, uma das "queridinhas" do mundo alternativo se apresentará em Brasília dia 23 de março no Marina Hall. Não, não tinha um lugar pior não. Seria bom perguntar para o pessoal que está organizando, por que eles resolveram fazer o show lá. O do Pet Shop Boys funcionou bem, mas ainda sim a posição palco/público não é muito boa. O Arena para mim era o local mais cotado.
Basta a nós esperarmos para ver se o Alex Kapranos vai voltar com esse bigodinho ridículo.

Videoclipe - Grizzly Bear


Ready, Able

Entrevista - Macaco Bong


Quem acompanha a cena independente brasileira já deve ter ouvido falar do Macaco Bong. Eles provavelmente já tocaram em algum festival na sua cidade. A banda cuiabana tem se destacado muito nestes dois últimos anos. Depois de ter seu primeiro disco, “Artista Igual Pedreiro” (monstro Discos/Fora do Eixo Discos-2008), eleito o “Melhor de 2008” pela Rolling Stone Brasil, a banda ganhou ainda mais projeção. Recentemente, esteve entre as indicadas de “Melhor Banda Instrumental”, do VMB 2009, mas perdeu para o Pata de Elefante.

A banda foi escalada para tocar em um dos maiores e (em tão pouco tempo) respeitados festivais de São Paulo, o Planeta Terra, no palco principal. No mesmo dia ainda tocaram Primal Scream, Sonic Youth e Iggy Pop&The Stooges. Para falar um pouco sobre como estão os preparativos para o show além de coisas futuras, conversamos, via e-mail, com o baixista da banda, Ney Hugo. Os outros integrantes da banda são Bruno Kayapy (guitarra) e Ynaiã Benthroldo (bateria).

Drops Cultural: Primeira coisa que eu gostaria de entender é se a banda surgiu antes do coletivo Fora do Eixo? Ou se formou a partir dele?

Ney Hugo: A banda surgiu antes do Fora do Eixo, mas é completamente alinhavada com os princípios do Circuito, como se realmente tivesse surgido posterior a ele. A banda na verdade surgiu a partir do Instituto Cultural Espaço Cubo (MT), um dos fundadores do Circuito Fora do Eixo. Colocando as coisas cronologicamente, o Cubo é de 2001, o Macaco de 2004 e o CFE do final de 2005. O Macaco funciona como um dos programas do Espaço Cubo, atuando através da circulação, realizando oficinas e debates, e também nos setores de trabalho do Cubo e do CFE, comunicação, sonorização, distribuição e agenciamento. E também na prestação de serviço aos festivais da Abrafin.

Drops Cultural: A banda tinha um quarto elemento em 2004, bem no seu início. O que aconteceu com ele? E por que ninguém o substituiu.

Ney Hugo: Na verdade foram dois elementos que estavam no início da banda que não estão mais. O guitarrista Michael Sauder e o baixista Éverson Pink. Em 2005, os mesmos integrantes do Macaco Bong formavam a cozinha do Donalua, outra banda que atuava como um programa do Espaço Cubo e que teve suas atividades encerradas nesse mesmo ano. Nessa época esses dois integrantes se desligaram do Espaço Cubo, e consequentemente, das bandas. O Donalua parou e o Macaco Bong tinha um show marcado pro Goiânia Noise – o Fabrício Nobre tinha assistido o quarteto no Festival Calango 2005. Ao mesmo tempo, eu me aproximava cada vez mais do Cubo e fui chamado pra uns testes no Macaco. Quando vimos já tínhamos composto novas músicas, fechado o formato trio e recebemos boas críticas no show do Noise, sendo a terceira banda a se apresentar no primeiro dia.

Drops Cultural: Curiosidade: Como vocês escolhem os nomes das músicas de vocês? Já que elas não têm letras, como nomeá-las?

Ney Hugo: Tem a ver com o que a música representa. O texto não é a única maneira de se transmitir sensações ou intenções. Então músicas como “Fuck You Lady”, “Black’s Fuck”, “Amendoim”… Todas têm lá a sua mensagem. Algumas vezes damos nomes de acordo a situações por que passamos (Noise James = Nós e James), ou uma característica da música (Shift = tudo maiúsculo), e por aí vai…

Drops Cultural: O Macaco Bong tem relativamente pouco tempo de vida e tem alcançado um sucesso nacional muito expressivo. Vocês já tocaram em vários festivais independentes pelo Brasil. Qual deles a receptividade do público foi a melhor? Tem alguma história para contar para a gente?

Ney Hugo: Realmente temos uma receptividade muito bacana por onde passamos e creditamos isso ao rock instrumental, pois ele é acessível pra galera do rock e soa bem pra galera do instrumental. Uma história legal que podemos contar é na ocasião dos shows que fizemos no Festival Pop Montreal, no Canadá. Era divertido as pessoas vindo falar com a gente, tentando falar português, dizendo “vocês são de macaco bom?”. Outra ocasião interessante foi na Virada Cultural de Ribeirão Preto, quando tocamos nós e o Rádio Táxi, no final de tudo o nosso camarim foi “invadido” (com consentimento) por um monte de gente que tinha curtido o show.

Drops Cultural: Vocês também foram convidados para tocar no South by Southwest (SWSX), mas tiveram problemas e não puderam viajar. O que aconteceu? A organização entrou em contato com vocês para uma próxima apresentação por lá?

Ney Hugo: O que aconteceu foi que os EUA negaram o nosso visto. A justificativa deles é que todo não-imigrante é um imigrante em potencial. E nós não temos nenhum vínculo oficial de permanência no Brasil. Não somos casados, não temos filhos, não temos carteira assinada, não fazemos faculdade…. Aí, pronto! Estamos inscritos novamente no SXSW através do Sonicbidz, vamos ver… Dessa vez conta ao nosso favor estarmos filiados ao recentemente criado CNPJ do Espaço Cubo, registrado como associação. E também o fato de estar havendo uma crise lá. Agora eles estão dando visto, querem dólares.

Drops Cultural: Depois do disco de vocês “Artista Igual Pedreiro” ter alcançado o topo na Revista Rolling Stone (o álbum foi escolhido o melhor de 2008), o que mudou na carreira de vocês? Apareceu mais gente interessada na banda? Mais público? Mais convites para shows? Ou não? A revista só firmou uma coisa que já vinha acontecendo com vocês?

Ney Hugo: Um pouco de cada coisa. A revista trouxe à tona um reconhecimento que já vinha se tornando latente no Brasil, o da nova música que vem sendo feita no país, por artistas que buscam a auto-gestão e estão se lixando pras gravadoras. Entendemos inclusive que a RS escolheu o “Artista Igual Pedreiro” como um ícone desse fato. Mas a revista tem um alcance gigantesco, é a maior publicação de música hoje no país. Muita gente que não conhecia a banda passou a conhecer. É inegável o alcance que tem um prêmio importante desse numa revista do alcance da Rolling Stone. A visibilidade da banda sem dúvida aumentou muito.

Drops Cultural: O convite para o Planeta Terra, por exemplo. Como rolou? Já sabemos que o evento chama artistas independentes que tem se destacado na cena. E há alguma coisa de especial nessa apresentação? Alguma surpresa?

Ney Hugo: É bem isso mesmo que você disse. Tanto é que estamos nós e o Móveis Coloniais de Acaju (DF), que citamos como referência no quesito organização e auto- gestão do trabalho. É mais uma prova de como esse modelo de visão e de trabalho vem ocupando cada vez mais espaço no mercado musical brasileiro. Temos algumas surpresinhas nas mãos, umas releituras… Esperamos que o público goste.

Drops Cultural: Depois do resultado do VMB, houve uma descrença na premiação. Mas vocês foram indicados a “Melhor Artista Instrumental”, como vocês veem o resultado?

Ney Hugo: Continuando o ponto da resposta anterior… Os artistas auto-gestores tem criado tanto espaço no mercado musical brasileiro, que até a premiação dita mais importante, o VMB, está criando categorias específicas. Pouca gente imaginou um dia ver categoria instrumental no VMB. Nós ficamos muito satisfeitos com o Pata de Elefante ter vencido o prêmio de Melhor Instrumental, porque nos sentimos representados. A descrença que você se refere às outras categorias é legítimo, visto que ainda são mantidos alguns vícios de mercado, proveniente de grandes gravadoras. Mas estamos (nós, Móveis, Pata) mudando essa realidade. Vamos olhar pra frente.

Drops Cultural: Como foi o ano do Macaco Bong e o que a banda está planejando para o ano que vem, que já está quase no fim? Videoclipes? Eps? Singles?

Ney Hugo: O ano do Macaco foi ótimo. Em 2009 fomos duas vezes à Argentina, conquistamos público por lá, participamos de vários festivais brasileiros, realizamos turnês extensas, sempre se mantendo na rede de trabalho do Circuito Fora do Eixo, atuantes enquanto membros do Espaço Cubo. Para esse ano, ainda gravaremos um videoclipe, ainda agora em novembro. Daremos mais detalhes em breve. Também estamos na pré-produção de nosso novo disco e gravamos uma faixa no 10 Horas no Estúdio, do Trama. Ainda estamos pensando a melhor forma de difundi-la, mas logo logo ela deve estar na rede.
A entrevista foi originalmente publicada no Bloody Pop e chega com atraso no Drops.

02 novembro 2009

Maria Rita


A cantora Maria Rita foi convidada para abrir a primeira edição do projeto Viver Cultura, que visa promover a cultura brasileira. O show iria acontecer no Clube do Servidor,mas mudou de lugar e foi direto para o vizinho da frente, o Centro Comunitário da UnB. Quem já conhece o lugar ficou com medo do som no funcionar muito bem, pois a acústica do local não colabora. Esse foi um dos motivos para Maria Rita dedicar aquela noite ao pessoal da técnica, que estava trabalhando. A mudança de lugar também deixou a paulistana com um friozinho na barriga: "Gostaria de agradecer a todos vocês pela presença, essa mudança de última hora nos deixou com medo de que o show ficasse vazio".

Mas um show de Maria Rita não tem como ficar vazio, pelo menos no se depender de seus fãs. "Esta é quinta vez que assisto a esse show. No sou muito de sair de casa, mas quando Maria Rita vem à Brasília eu faço questão de acompanhar", disse Luis Antônio Magalhães, programador musical das rádios Câmara e Cultura Fm. O local estava cheio e para acomodar os convidados do Sindjus, cadeiras foram colocadas no lado direito do palco.

Maria Rita ainda está apresentando o show de seu terceiro disco, Samba Meu (2007). Como o próprio nome diz, o disco é recheado de sambas, em sua maioria assinados por Arlindo Cruz. Com seu micro-vestido, mostrando as belas pernas e uma simpatia enorme, fazendo caras e bocas, Maria Rita cantou grande parte de Samba Meu e no deixou as músicas antigas de lado. Catou canções como "A Festa", "Pagu" (de Zélia Duncan e Rita Lee), "Encontros e Despedidas" (de Milton Nascimento) e "Cara Valente" (Marcelo Camelo) todas de seu primeiro disco. O momento mais emocionante aconteceu quando Maria Rita cantou "Caminho das Águas" (de Rodrigo Maranho), pois a cantora teve que conter as lágrimas por lembrar de seu pai, César Camargo Mariano.
A última música antes do bis, já não tinha como ficar sentado e todo mundo levantou ao som de "Conta Outra", faixa bônus de Segundo. Porém, com os gritos e palmas, Maria Rita voltou e terminou o show com "O homem falou" (Gonzaguinha), deixando saudades.

Cobertura do Porão do Rock 2009

Voltando às suas origens, o Porão do Rock 2009 rolou em setembro (como na sua primeira edição), foi de graça, atrasou e ainda teve um monte de bandas de Brasília. Isso por si só não significaria um retrocesso, mas, comparado à edição anterior, este ano a organização deixou a desejar. Com a demora em se obter um patrocínio a realização do Porão do Rock era uma incerteza para os brasilienses e a escalação das bandas foi prejudicada. Nem por isso o festival deixou de trazer grandes nomes, alguns até “repetecos”, como Angra e Sepultura, que se apresentaram no festival em 2007.

O primeiro dia na Esplanada dos Ministérios estava marcado para começar às 16h mas só foi começar uma hora depois com o show do quarteto instrumental Super Stereo Surf. A banda tocou ano passado no Palco Pílulas e foi “promovida” para o Palco Principal. O mesmo aconteceu com as bandas Elffus, Black Drawing Chalks e Rafael Cury and the Booze Bros. Com o atraso do Orgânica, os argentinos do El Mato a un Policia Motorizado subiram ao palco e mesmo com o som meia-boca empolgaram os amantes do rock alternativo.

O som ruim não atrapalhou os argentinos, mas foi um problema no show da Cachorro Grande. Desde o começo Beto Bruno, vocalista da banda, pedia o retorno. A banda ficou em instrumentais intermináveis enquanto o gaúcho conversava com o pessoal da técnica. Até que eles pararam o show: “Nós e vocês vamos esperar o retorno voltar”, disse Beto no palco. Depois de algumas discussões, palavrões e “estresses” para todos os lados, a banda voltou a tocar. E claro que com muito cinismo. Engataram em músicas como “Deixa Fudê”, “Sexperience” e “Vai T.Q. Dá”, tudo em protesto pelo péssimo áudio no palco. O show terminou com a marca registrada, um bundalelê.

O Ludov fez um show fraco, nada excepcional. O Ellfus empolgou a galera, assim como os goianos Black Drawing Chalks, que estão a cada dia se profissionalizando mais. A grande atração da noite, os californianos do Eagles of Death Metal, não conseguiram o mesmo. Talvez o som não tenha colaborado, já que estava baixo em vista do que poderia estar. E mesmo encabeçado pelo boa praça Jesse Hughes, que não parava de dizer o quanto estava feliz por estar no Brasil, o show não empolgou. Jesse fazia grandes intervalos entre uma música e outra e o ritmo do show, que deveria ser acelerado, como pedem as músicas do grupo, foi lento, causando um certo desinteresse na platéia.

Já era tarde e mais uma mudança aconteceu no line-up. O Sepultura, que fecharia o Porão, acabou por tocar depois do Eagles e deu para perceber quem realmente grande parte da galera reunida na Esplanada dos Ministérios estava esperando. Os mineiros, como sempre, deixaram uma galera pulando e gritando sem parar. O Mugo veio em seguida, quase que abrindo o show do Angra, outra grande atração da noite. Eram mais de 3 horas da manhã e ainda tinha gente bem acordada para assistir o show dos caras, que não decepcionou. E não acabou, ainda tinha os paulistas do Mindflow, que fecharam o Porão para cerca de 300 pessoas e o Dynahead, que acabou escalado para fechar o Palco Pílulas no dia seguinte.

Ao contrário do que aconteceu no Palco Principal, o Palco Pílulas era uma inveja para qualquer um. Mesmo começando meia hora atrasado, as atrações tocaram todas em seu horário e ainda tiveram um som de primeira. Passaram por lá Scania (DF), Di Boresti (DF), Rocan (DF), O Melda (MG) em um show muito elogiado, Belle (RS), Superquadra (DF) e duas bandas que tem se destacado em Brasília, Watson e The Pro.

O segundo dia antecipou os 50 anos de Brasília e fez uma homenagem às bandas dos anos 80, 90 e 2000 que se destacaram na capital federal. Um prato cheio para quem viveu (ou vive) a sua adolescência em alguma dessas décadas.

O Fallen Angel/Dungeon abriu os shows do domingo, seguido pelo Detrito Federal, ainda no clima de nostalgia para o grande show de rock da Plebe Rude. Depois vieram Escola de Escândalo e Paralamas do Sucesso. Embora a banda seja do Rio, parte da sua história se passou em Brasília. O show foi perfeito para um festival. Herbert Vianna e seus companheiros João Barone e Bi Ribeiro tocaram sucessos do começo ao fim do show, deixando espaço apenas para duas músicas de seu último disco, Brasil Afora.
A tão comentada atração surpresa foi realmente uma surpresa para muita gente. Havia um buchicho de que Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá iriam se apresentar no Porão em um tributo à finada Legião Urbana e isso realmente aconteceu. A homenagem à banda e ao grande artista que foi Renato Russo era uma idéia antiga e deve se prolongar com mais shows em 2010. Vários vocalistas foram escalados para acompanhar os remanescentes da Legião: André Gonzales (Móveis Coloniais de Acaju), Herbert Vianna, Phillipe Seabra, Toni Platão e o uruguaio Sebastian Teysera (vocalista da banda La Vela Puerca). O show foi curto, mas conseguiu emocionar muita gente, ao ponto de algumas pessoas até pararem o carro no cantinho da pista para saber o que estava acontecendo ali.

No Palco Pílulas se apresentaram as bandas vencedoras da seletiva: Cassino Supernova, Na Lata, Soatá, Trampa, Kanela Seca, Bootlegs e Blazing Dog, além dos Cabeloduro e o Dynahead.
O Maskavo fez um show fofo, mas para eles realmente não há volta. Já o Little Quail and The Mad Birds deixou um grande gosto de quero mais. Com Zé Ovo e Gabriel Thomaz falando besteira o tempo todo e a vitalidade de Bacalhau, a banda ainda tem um timing perfeito. E se rir é o melhor remédio, Zé Ovo e Gabriel não pouparam comentários. Disse o guitarrista no show: “Eu queria agradecer a Plebe Rude, Paralamas do Sucesso, a Legião Urbana, por abrir esse show do Little Quail!”.
Os Raimundos fizeram um show médio. A escolha das músicas poderia ter sido melhor e o Rodolfo realmente faz uma falta enorme na banda. Depois vieram Rafael Cury e para finalizar o festival, Móveis Coloniais de Acaju. Eram 3h40 da manhã e ainda tinha gente disposta para assistir o show do Móveis. Prova cabal de que eles são mesmo a banda mais querida de Brasília na atualidade. E quase que o show não acontece. Pouco antes de subirem ao palco a energia elétrica simplesmente acabou e uma chuva fina começou a cair. Quem esteve por lá conseguiu ver uma coisa inédita: Móveis acústico. Com a luz de volta, o show ganhou toda a energia característica da banda. A chuva ficou mais forte no final e o tão esperado bis não rolou para que ninguém saísse de lá eletrocutado.

A cobertura demorou para chegar aqui, pois estava esperando ser publicada no site Meio Desligado, do muito desligado Marcelo Santiago.