15 maio 2009

Entrevista - Solana

“Vai Carlos! Ser gauche na vida!”. É o que diz Carlos Drummond de Andrade no Poema de Sete Faces. Este também é o sobrenome de Juliano, vocalista da banda capixaba Solana. Foi através de um grupo literário que ele conheceu Dante Ixo. Eles fizeram amizade e passaram a musicar poemas, depois a escrever músicas e por fim, montaram uma banda.
O primeiro nome dela foi "Carpe Diem", que teve de ser trocado e virou a Solana. A banda começou sua carreira de verdade em 2002, depois de ganhar o festival Rock Por Essas Bandas, organizado pela rádio Transamérica. Depois disso, a banda chamou atenção do selo BM Factory, que resolveu gravar o primeiro disco do grupo, Quanto mais depressa, mais devagar....
Depois de sofrer baixas na formação da banda, a Solana se reestruturou e hoje é composta por Juliano Gauche (vocal, violão e guitarra), Murilo Abreu (baixo e voz), Rodolfo Simor (guitarra) e Bento (bateria). Foi este quarteto que produziu e gravou o segundo disco da banda, Feliz, feliz, que pode ser baixado gratuitamente no site oficial.
E foi este mesmo quarteto que subiu ao palco do Domingão do Faustão para mostrar seu trabalho ano passado.

Foi sobre tudo isso e mais um pouco que conversamos via e-mail com o vocalista da banda, Juliano Gauche. O resultado dessa “proza” vocês conferem aí embaixo:

Drops Cultural: O que mudou na banda depois da saída do Dante Ixo? Já que ele e você eram os principais compositores.
Juliano Gauche: Assim que o Dante saiu, saíram também o guitarrista Rafael Rocha, o produtor Sérgio Benevenuto (que foi quem produziu o “Quanto Mais Pressa, mais Devagar...”) e toda a estrutura do seu selo, o BM Factory. Ficamos só eu, o Murilo e o Bento. Entrou o guitarrista Rodolfo Simor e começamos a trabalhar as canções que eu havia composto até então. Não demoramos muito a montar o repertório que seria o “Feliz, feliz”. O Murilo também começou a compor e o Bento foi meu parceiro em uma das músicas. Tudo passou a ser mais democrático.

Drops Cultural: O primeiro nome da banda foi “Carpe Diem”. Nome que remete à literatura, que de certa forma, foi o que uniu você ao Dante. Por que a escolha de mudar de nome? E de onde veio “Solana”?
Juliano Gauche: O nome “Carpe Diem” já estava registrado, o que nos impossibilitava de usá-lo. Estávamos em estúdio gravando o primeiro disco quando o Murilo achou a palavra “Solana” no livro “Noites Tropicais” do Nelson Mota. A palavra foi para a lista de possíveis nomes e no fim foi a escolhida.

Drops Cultural: Já que estamos falando de começo. Vocês começaram em um festival (Rock Por Essas Bandas, em 2002). Hoje nós vemos um retorno aos festivais que apresentam bandas independentes. No caso de Brasília, temos o Porão do Rock. O que vocês acham dessa iniciativa? O Solana já tocou em outros festivais?
Juliano Gauche: Depois do Rock Por Essas Bandas não houve mais nenhum festival por aqui nesses moldes, até o ano passado. No ano passado aconteceu o primeiro festival “Omelete Marginal” e toda cena independente o agarrou com unhas e dentes. Todos aqui sabem da importância de se unir para se mostrar da melhor maneira possível. O resultado foi lindo e pode ser conferido no site http://www.iu.art.br/ Recebemos os prêmios nas categorias: Melhor Banda, Melhor Disco e Melhor Site.

Drops Cultural: O primeiro disco de vocês , “Quanto mais pressa, mais devagar...”, foi produzido pelo Fábio Henriques (que já trabalhou com Planet Hemp, O Rappa, Renato Russo...). Como surgiu essa parceria? E como foi trabalhar com ele? Vocês acham que ele interferiu positivamente no trabalho de vocês?
Juliano Gauche: O Fábio só mixou e masterizou Quanto Mais Pressa, mais Devagar.... Conhecemos ele através do Sérgio Benevenuto, que foi quem produziu mesmo. É claro que ter alguém com a bagagem dele num primeiro disco só valoriza todo o processo. E ele foi demais! Tanto como pessoa, quanto profissional. Aprendemos muito sobre como gravar, além de ouvir histórias sobre pessoas que gostamos e que ele trabalhou junto, como o Renato Russo.

Drops Cultural: Como é a cena independente em Vitória?
Juliano Gauche: A cena em Vitória está ótima. Hoje temos esse festival que citei, que também é uma revista e um portal e que está juntando informações e artistas. Temos também diversos editais que financiam circulações de shows e espetáculos em todo o estado do Espírito Santo. Muitos artistas estão se lançando através do Myspace e chegando rapidamente ao público. Mas tudo ainda no âmbito regional. Temos sérias dificuldades de conseguir a atenção de festivais, revistas, blogs e programas fora daqui.

Drops Cultural: Indiquem uma banda independente do Espírito Santo que vocês gostem.
Juliano Gauche: Uma unanimidade entre nós é a banda Zémaria.

Drops Cultural: Aproveitando o ensejo, quais são as principais influências da banda?
Juliano Gauche: Zémaria, Roberto Carlos, Sérgio Sampaio, Pink Floyd, Beatles, Tom Jobim, Rodrigo Amarante, Syd Barret, Bob Dylan, Led Zepplin, Dante Ixo, Billie Holliday, Chet Barker, Elvis Presley, Trafic, Legião Urbana, Sodre Lerche, Caetano Veloso, Herbert Viana, Cazuza, Rubem Braga, Fernando Pessoa, Mutantes, Rimbaud, Baudelaire, The Doors, Nirvana, Elis Regina...

Drops Cultural: O segundo disco, “Feliz, feliz”, foi lançado em 2008 e foi colocado para download gratuito no site oficial de vocês. Por que o download no site quando vocês podem trabalhar, por exemplo, com a Trama? Houve também uma mudança no lançamento. Vocês saíram de um selo e lançaram o CD de forma independente. Por quê?
Juliano Gauche: Quando o Dante saiu o selo que nos produzia já tinha fechado. O Sérgio Benevenuto não gostou da nossa nova idéia e preferiu não nos produzir mais. Como disse acima, temos sérias dificuldades em nos relacionar com o mercado nacional. O Rafael Ramos da Deck Disc, por exemplo, achou o Feliz, feliz um disco morno e não se envolveu. Coisas assim nos levaram a fazer tudo sozinhos.

Drops Cultural: Além de conquistar o primeiro lugar no Rock Por Essas Bandas, ser uma das 5 finalistas do Revista Oi (2004), a Solana foi parar no palco do Domingão do Faustão (em 2008). O que isso representou para a vida da banda?
Juliano Gauche: O impacto foi maior dentro de nosso estado mesmo. Alguns acessos a mais pelo Brasil, mas nada de convites para shows, outros programas, nem nada do gênero.

Drops Cultural: Vocês não sofreram nenhuma discriminação por tocar no programa? Essa atitude pode até agregar novos fãs, mas vocês não acham que pode desagradar aos antigos?
Juliano Gauche: Quando saiu a classificação ouvimos muitas piadinhas. Mas quando rolou o destaque no quadro, o nosso nome se popularizou muito por aqui. Muitas notas em jornais, pessoas nas ruas nos parabenizando...Enfim, um tipo de atenção que não tínhamos em nosso mundinho cult. Agora é grande o número de bandas daqui que enviaram seus vídeos também. Quem gostava da gente antes nos ajudou muito na época da votação, todos sabiam que isso era uma chance para esse diálogo complicado com o Brasil. E todos ficaram felizes com o resultado.

Drops Cultural: Para os curiosos que querem ver a banda ao vivo, quando e onde serão os próximos shows?
Juliano Gauche: Dia 16 de maio a gente abre para o Capital Inicial no maior ginásio de Vitória, o Álvares Cabral. No final junho, começará um intercâmbio com o Rio e São Paulo através das noites Omelete Marginal, criadas pelos mesmos organizadores do festival homônimo. E o Solana é uma das atrações. Em agosto tocaremos num festival na França. E também estamos sendo cotados para uma festival em Fortaleza, também em agosto. Além de shows pequenos que a gente sempre faz em casas noturnas daqui. Para acompanhar nossa agenda é só ir á nossa página no Myspace.

Aqui um vídeo da banda que juntamente com Pullovers será a nossa atração de hoje do quadro Cult Brasil, dentro do programa Cult 22. O Cult 22 que vai ao ar todas as sexts-feiras, de 22h a 1h da manh,a dentro da programação da rádio Cultura Fm (100,9 MhZ).


A Melodia Bonny Dundee


Fotos do Myspace e da internet.

Um comentário:

Tay Barreto disse...

Apesar de não ser tão conhecido o trabalho dos meninos, tenho maior carinho e apreço pelo trabalho e por eles tb. São de um talento ímpar e não tenho dúvidas que o cenário nacional será pequeno quando um reconhecimento geral vier!
Parabéns!