03 fevereiro 2009

Little Joy: o Show

Mesmo que Amarante tenha dito em entrevista à Folha de S. Paulo, que o sucesso do Little Joy foi uma coisa inesperada, não foi assim que pensaram os fãs. Um grupo que reuni um “stroke” (Frabrizio Moretti) e um “hermano” (Rodrigo Amarante) não poderia alcançar um sucesso diferente.

Infelizmente, os produtores que fizeram a turnê brasileira da banda não mediram, nem imaginaram ou até mesmo acreditaram que eles pudessem encher uma casa. Foi assim que São Paulo ganhou três shows. Já que o local escolhido para abrigar o trio tem capacidade para até mil pessoas. Aqui em Brasília, não foi diferente. Com capacidade para apenas 350 pessoas sentadas, o Espaço Brasil Telecom pôs à venda os disputados ingressos para o show e em apenas dois dias eles já estavam esgotados. Os extras duraram mais dois. Sendo assim, o Little Joy acabou fazendo um show para poucos felizardos.

A expectativa do público era grande. Havia gente do lado de fora torcendo para comprar o ingresso de algum desistente e a excitação estava no rosto de muitos ali dentro.

Casa cheia e na noite quente do dia 31 de janeiro, Rodrigo Amarante, Fabrízio Moretti e Binki Shapiro entraram no palco acompanhados pelos músicos Matt Romano (bateria), Tood Dahlhoff (baixo) e Noah Gerorgeson (guitarra e voz) para dar vida ao Little Joy.

A primeira música foi a lenta “Play the Part”. Em seguida veio “Next Time Around”, que foi animando o público até ficar todo mundo em pé. O primeiro a se manifestar, com sua voz rouca foi Moretti: “É muito melhor assim”. Ele acabou fazendo com que os mais relutantes também levantassem e aproveitassem para dançar as músicas com influências dos anos 60, surf music e um pouco de guitarras meio havaianas.

Depois falou Amarante: “Quando a gente chegou aqui, a gente ficou pesando: ‘Como nós vamos tocar para uma platéia sentada?’ Para gente é muito melhor assim. Desculpa para quem não gostou”. O Espaço Brasil Telecom pode sim ter uma acústica ótima, mas ficar sentado e ver um show de rock, realmente não é uma boa escolha.

O repertório foi claro, o CD todo mais duas covers, “Walking back to happiness” da cantora Helen Shapiro e “This time tomorrow” do The Kinks, esta última cantada por Fabrízio. O brasileiro nascido no Rio de Janeiro, mas que muito cedo (aos 4 anos) foi morar com a família nos Estados Unidos parceria um dos mais felizes no palco. Ele soltava piadas, falava bobagens e fazia muitas brincadeiras com a guitarra. Chegou até a “ir para a galera” enquanto tocava “Don’t watch me dancing”.

A química entre os integrantes é cativante e bonita de se ver. Em dado momento, por exemplo, alguém gritou para Amarante e ele resolveu responder com uma música de Ney Matogrosso, mas não lembrava qual. Moretti não desperdiçou o momento e puxou o coro de “O último romance”. Rodrigo ficou totalmente sem graça enquanto todos do Espaço cantavam fervorosamente.

A terceira música a entrar no repertório foi uma música feita na estrada, mas ainda não batizada (vocês podem escutar aqui). O show foi pequeno e a justificativa foi condizente: “Nós somos uma banda nova. Não temos muita música”, disse Amarante. “Nós somos crianças”, arrebatou Moretti em outro momento.

Binki ao contrário dos colegas ficava muito quietinha, mas quando resolvia abrir um sorriso e cantar encantava a todos.

No bis, Amarante voltou sozinho com sua guitarra para tocar “Evaporar”, primeira música lançada por ele depois do hiato dos Los Hermanos. Para fechar o show a escolhida foi a alto astral “Brand New Start”. A alegria esbanjada no show contagiou a todos, que cantaram e dançaram junto durante a quase uma hora de show.

O futuro agora é incerto. Fabrizio já avisou que não quer parar de tocar junto com os amigos, mas no final de fevereiro volta aos Strokes para gravar o quarto disco da banda. Depois segue em turnê. Agora é torcer para que as agendas não se choquem tanto.

Fotos: Abelardo Mendes Jr. (Cult 22)

2 comentários:

gshgsh disse...

Em termos de setlist (incluindo ordem), acho que o show daí foi bem parecido com o daqui de Porto Alegre, o primeiro da turnê brasileira! Pelo menos aqui a produtora teve mais noção e o show foi no Opinião, que deve ter espaço para 2000 pessoas e que estava lotado!
O Amarante e o Moretti de fato foram bastante comunicativos e talvez por ter sido o primeiro show no Brasil, pareciam bastante surpresos com o tamanho do público!
Uma pena o show ser tão curto, aqui o atraso foi maior do que o show em sim, mas valeu a pena sim, matei a saudade de ver o Amarante ao vivo, já que tinha perdido o último show do Los Hermanos em Porto, não me perdoava desde então!
Tomara que eles não percam contato mesmo, mas bem que podia sair um Los Hermanos 5 até lá, né?

Alê dos Santos disse...

Eles não estão mudando nada no show. Esse set list é o mesmo de São Paulo, Porto Alegre, Rio e até Recife! Um novo Cd dos hermanos num deve rolar tão cedo, mas claro que a gente torce. Adorei o show e foi ótimo ver o Amarante e o Fab tão felizes.