03 dezembro 2008

El Mapa de Todos

Estamos bem atrasados é bem verdade, mas eu estava esperando as fotos do show para colocar o texto no ar. Pelo menos as fotos que eu tirei. (Preciso de uma câmera). Como nesse blog, nunca é tarde, lá vai o texto (que pela primeira vez, foi divulgado antes em outro lugar):

O Festival El Mapa de Todos organizado pelo Senhor F trouxe à Brasília esse final de semana (de quinta a sábado) debates, workshops, lançamentos de livros, mostra de vídeos, oficinas e shows, tudo pela integração entre os povos de língua espânica-portuguesa.
Os shows mais esperados com certeza eram do Hermano (ou ex?) Marcelo Camelo, da banda que lota estádios na Argentina, os Babasónicos e dos pernambucanos do Mundo Livre S/A, que se apresentaram respectivamente quinta, sexta e sábado. Na quinta eu dei uma passada por lá.

A primeira banda da noite era Beto Só, o brasiliense que canta músicas melancólicas. Por abrir o festival, Beto acabou atraindo pouco público. Não havia mais do que 50 pessoas para ver o show do rapaz, que começou pontualmente às 20h30. Uma pena. Beto Só cantou na meia-hora designada músicas de seu novo CD, Dias Mais Tranqüilos e do primeiro, Lançando Sinais. Ele se apresentou no foyer do teatro, onde foi montado um palco para alternar os shows.

Em seguida, o português Azevedo Silva conseguiu acalmar ainda mais o público com suas músicas de temas tristes, como "Pena" e "Morte". Justificando seu momento "down", Azevedo falou: "Nós moramos mais perto do Pólo Norte, por isso somos pessoas mais frias". Mesmo assim, não havia como não rir do duo de guitarra e violão no palco, que sempre que podiam inseriam algum comentário engraçado para animar a noite. Quando foi classificar sua música, por exemplo, emplacou: "É um fado indie.”.

Os portugueses pareciam muito felizes por tocarem para o teatro do Espaço Brasil Telecom praticamente cheio e Azevedo não perdeu a chance: "Nós tocamos sempre para umas 10 pessoas...".

Os uruguaios do Danteinferno angariaram o público apenas durante os 30 primeiros minutos de sua apresentação, enquanto eles se apresentavam no palco externo, muita gente preferia ficar na porta do teatro aguardando o show de Marcelo Camelo. O local estava cheio , portanto a preferência da maioria das pessoas foi deixar o Danteinferno de lado.

E foi um grande "inferno" entrar naquele teatro. Era apenas o show solo de Camelo e a euforia era tão grande, que quase não dá para descrever. As pessoas formaram uma fila gigante e se atropelaram na hora de entrar. Fiquei imaginando como seria caso os Los Hermanos voltassem a ativa. E juro que fiquei com medo. Ao mesmo tempo, acho que essa espera vai ser longa, já que tudo o que os integrantes da banda fazem é simplesmente venerado pelos antigos fãs. Seja Amarante tocando com o Fabrízio Moretti e Binki Shapiro em seu Little Joy. Seja o Rodrigo Barba tocando bateria com o Canastra, ou mesmo o Medina na banda que acompanha a Adriana Calcanhoto.

Camelo encontrou um teatro abarrotado de gente, além das 450 pessoas sentadas em suas cadeiras, havia gente em pé e no chão. O show começou pontualmente às 23h. Ele entrou no palco sem falar nada e tocou "Passeando", mesmo com os aplausos continuou sem falar, parecia meio tímido, enquanto os "Hurtmolds" tomavam seus lugares.

A música seguinte foi a primeira lançada por ele, "Téo e a Gaivota", que assim como todas as músicas que ainda seriam tocadas ganham um ar mais rico musicalmente com a presença do Hurtmold. "Menina Bordada" ficou mais dançante, "Liberdade" quase virou um samba e "Copacabana" uma autêntica marchinha de carnaval. A união entre a banda e Camelo foi muito acertada. Eles, maduros instrumentistas e Camelo um ótimo letrista.

Camelo só resolveu agradecer a presença do público e desejar uma boa noite, depois de cantar a terceira música, "Tudo Passa". Um dos pontos altos aconteceu quando ele cantou apenas com seu violão, a música que originalmente conta com a participação de sua nova "pupila", Mallu Magalhães. Foi uma pena não vê-los juntos em "Janta".

Ele também não deixou as músicas que escreveu no Los Hermanos para trás. Cantou "Pois é" e "Morena". As composições cantadas por Maria Rita também não ficaram de lado, "Despedida" e "Santa Chuva" (que está no CD) também foram contempladas no show.

A noite toda a impressão que se tinha era de que Marcelo estava muito feliz, num tom totalmente MPB. Pernas cruzadas (quando sentado) e leve, quando levado pelo som dos instrumentos do Hurtmold.

A banda também teve sua hora. Marcelo virou a cadeira de lado e eles passaram a tocar algo "improvisadamente musicado", lembrando o que ele faz em seu segundo projeto "Os Imprevíveis". Nesta parte conseguimos ver e escutar o grande trabalho sonoro do Hurtmold. Camelo se retirou do palco como entrou, cabeça baixa, sem falar nada e deixou apenas eles tocando.

Os meninos saíram do palco e minutos depois, Marcelo voltou sozinho para tocar "Santa Chuva" e para finalizar, a marchinha "Copacabana". Uma noite feliz, muito feliz para quem curtiu o Sou de Camelo.
As fotos estão horríveis, é verdade, mas infelizmente não me mandaram as melhores. Créditos para Roberto Mathias. a do duo Azevedo Silva foi retirada do Blog do Jamari.

2 comentários:

Felipe Nunes disse...

Ano que vem prometo comprar um câmera. (Y)

Alê dos Santos disse...

Pow...Falar nada não.