17 novembro 2008

Jesus and Mary Chain

Como eu não assisti ao show do Jesus and Mary Chain, pedi que o Marcos Pinheiro (grande fã da banda e que viu o show do começo ao fim), fizesse uma resenha para o blog. Lá vai:


"Foi um encontro quase religioso na noite de sábado (8/11). Eu, humildemente, em meio a um séquito de cinco ou seis mil fiéis. Ele, lá em cima, soberano e entoando cânticos que levaram os súditos a momentos de louvor e êxtase. Sim, meus amigos, Jesus baixou por uma hora no Planeta Terra.
E o mundo, para aqueles presentes, nunca mais será o mesmo.
Quem me conhece sabe que sou um cara que cresceu musicalmente em meio ao “boom” do rock britânico dos anos 80. Tempos de universidade, das festinhas e de uma leva de boas bandas que despontaram no cenário pós-punk… e que chegaram às FMs brasileiras na época em que Internet era mera imaginação.

Neste contexto estavam os escoceses do Jesus and Mary Chain. Na primeira vez em que tocaram no Brasil, em 1990, não pude assisti-los. Eles se separaram por um bom tempo, mas voltaram. E ficou, desde então, a esperança de que pintassem novamente por nosso país. Quando a organização do Planeta Terra anunciou a vinda dos caras, não tive dúvidas: independentemente de outras atrações, compraria ingresso pro festival. E foi o que fiz, ainda em setembro, pagando o preço inicial de R$ 80. Curiosamente, embora confirmada, o nome da banda não aparece no tíquete. Falha imperdoável.

No sábado passado, pontualmente às 20h30, estava eu lá postado em frente ao palco principal. A ansiedade era grande e, sinceramente, não me decepcionei. Pelo contrário! É verdade que o som baixo e abafado limitou a potência da talentosa guitarra de William Reid.
Houve quem reclamasse da falta de comunicação do irmão e vocalista Jim com o público (como se o Jesus tivesse sido, em algum momento da carreira, um poço de simpatia). Ou, paradoxalmente, quem esperasse uma apresentação caótica, cheia de distorções, como fizeram por aqui há 18 anos.

Mas eu, não. O que me importava era a música e ela falou mais alto, nem que fosse em espírito e criação. Snakedriver, Head On, Far Gone and Out, Blues from a Gun, Between Planets, Sidewalking, Teenage Lust foram se enfileirando como uma artilharia pesada, sem tempo a perder. Happy When it Rains, do segundo álbum, Darklands, me levou às lágrimas - foi a primeira canção do Jesus que me chamou a atenção e me fez virar fã, já que o disco de estréia, Psychocandy, só fui conhecer melhor depois.

Em um dos poucos momentos de interatividade com a platéia, Jim anunciou a “brand new song” Kennedy Song. E a dobradinha final com Just Like Honey e a contagiante e fatal Reverence foi o tiro de misericórdia. Não havia mais volta naquela viagem. A se lamentar apenas as ausências, no set list, de April Skies, Almost Gold e Sometimes Always (aquela cantada com a Hope Sandoval, ex-Mazzy Star). E dos amigos e fãs Abelardo Mendes Jr. e Carlos Marcelo, que se comunicaram comigo por torpedos - e viram o show pela Internet.
Com o perdão da concorrência: para mim o Planeta Terra foi “Jesus and Mary Chain e mais 10″! Absolutamente memorável!"


A resenha também está no blog Cult 22.

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