28 agosto 2008

Nunesoteca - Porão do Rock

Aqui estou, depois de algum tempo ausente.

E vim falar é claro, do evento que sacudiu Brasília há duas semanas, o Festival Porão do Rock.
Como a Alê já disse aqui (algumas muitas vezes) nós dois trabalhamos no evento. Eu em outra área (não na mesma função da Alê). A minha função, que era ajudar a assessoria de imprensa, me impossibilitou de assistir alguns (vários) shows. Porém os vistos, não deixaram a desejar, e é justamente deles que venho falar.

Na primeira noite do festival, assisti de fato apenas um show, o dos “cowboys” do Matanza. E valeu todo o trabalho desse dia. Pois o primeiro dia é o dia que mais dá trabalho, porque é o dia que você tem que colocar a coisa pra funcionar, mas nem por isso minha animação foi embora. Muito pelo contrário. A minha tática para o primeiro dia era justamente essa, trabalhar muito, colocar todas as coisas em seus devidos lugares, para quando chegasse a hora do show dos cariocas, eu estivesse livre, para poder vê-los na íntegra. Foi justamente isso que aconteceu.

Fiquei bem na frente do palco, esperando ansiosamente o show do D.F.C, que acontecia no palco ao lado, com um hardcore frenético e um vocalista mais frenético ainda, acabar. Pois foi o que o ocorreu, assim que acabou o massacre brasiliense, os cariocas entraram. De começo entraram no palco apenas o guitarrista (Donida), o baixista (China) e o baterista (Jonas), fazendo um som que já apresentava o que viria pela frente. Depois de alguns minutos, entra ele, JIMMY, com sua cabeleira vermelha, e sua voz rouca, chamando Brasília para uma sessão de muito rock’n’roll, que viria no pouco mais de uma hora.
Um show que passou por todos os CD’s da banda e ainda por umas duas músicas da grande inspiração da banda, o americano Johnny Cash. Com pausas que me causam nostalgia, JIMMY interagia com sua voz quase robótica com a platéia de aproximadamente quinze mil pessoas. Não podendo esquecer da performance inesquecível do baixista China, que com certeza, deve ter depois de cada show, uma puta dor de pescoço.

Depois de aproximadamente doze horas na arena do Festival, voltei pra casa. Dormi um pouco mais de seis horas e já hora de se aprontar para mais um dia de festival. Chegando lá, agora podendo aproveitar mais shows, e na companhia de toda a turma, vimos logo de cara o show do Vai Thomaz no Acaju, Junção dos Móveis Coloniais e Gabriel Thomaz (Rrock), com algumas participações especiais, como por exemplo, do já conhecido Nonato Mendes.Com um show dançante, a banda conseguiu animar as poucas pessoas que preenchiam a imensa arena. Logo depois (mudança essa, dada por causa da ausência dos alemães do Sick City, devido a problemas no visto) vieram os cariocas do Canastra (banda que eu estava ansioso pra assistir, com a curiosidade de ver o ex-hermano Rodrigo Barba no comando das baquetas). O show não me decepcionou. Toda a galera reunida, cantando todas as músicas e dançando muito, tudo ao puro rockabilly a brasileira.

Depois das duas bandas de abertura do palco principal , dei uma pausa dos shows, e fui dar uma conferida na sala de assessoria, mas como disse anteriormente, o primeiro dia é o mais trabalhoso, deixando assim, o segundo razoavelmente livre para conferir as atrações do festival.

A próxima atração vista, foi (novamente) os cariocas do Autoramas. Com um show coreografado, com guitarras para os lados, para frente, juntamente com os pescoços de Gabriel Thomaz e uma baixista que acredito eu, que tenha sido emprovisada. Um show dançante, como a própria banda se auto intitula. Depois veio os pernambucanos do Mundo Livre, juntamente com Fred 04 e seu inseparável cavaquinho. Foi um show curto, mas bastante animado, e adivinhem, com Rodrigo Barba assistindo o show, ali, na nossa frente.

Depois da seqüencia de show, uma pausa, pra guardar forças, pr'aquele que talvez seria o melhor show de todo o festival, e provavelmente de todo o ano (depois do show do Hives poderei falar com mais propriedade). Toda a energia seria pouco pr'aquele show, e que show. Os ingleses do Muse demoraram um pouco para entrar no palco, depois de um Porão que foi impecável em seus horários.
É claro que tinha que rolar um suspense, afinal de contas, se tratava de um dos shows mais badalados do mundo. Enfim, entram eles, com um som impecável, uma iluminação que me deixou boquiaberto, pois não esperava nem mesmo metade do que foi feito. Um show que mesclava sensibilidade, e uma agressividade que doía o peito, a cada batida no bumbo da bateria de Dominic Howard. Um show que contou com efeitos especiais, como as várias bolas gigantes que foram arremessadas ao público quase no final do show, como os jatos de fumaças que espirravam no meio do palco, e não menos importante, o ventilador aos pés de Matthew Bellamy, para que seu penteado indie pudesse se movimentar, e dar toda a pinta do grande rock star que é.

Enfim, acho que em nenhuma hipótese eu poderia esperar ver um Porão do Rock ser fechado com tanta classe e elegância, como foi esse ano de 2008. Depois do show, eu pude entender perfeitamente, o titulo de “apoteótico” que é dado pela crítica ao show dos ingleses.

É isso, o Porão do Rock 2008 vai deixar saudades, mas ano que vem está bem aí, e agora mais do que nunca eu, tenho certeza de que o evento está cada vez melhor.

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