27 junho 2008

Velhos, Usados ou Híbrido. Escolha o seu!


Antes de subir no palco do Espaço Brasil Telecom neste domingo, os meninos da banda Velhos e Usados toparam responder umas perguntinhas para o Drops.
A banda falou sobre o show de lançamento do Cd, sobre suas influências e um pouquinho da antiga Patuléia.
Como a entrevista foi feita via e-mail, dois membros da banda conseguiram escapar. São eles o baixista Artut Lôbo (Didi) e o cara dos efeitos, escaleta e voz, Rodrigo Cavallare.

Ao lado o flyer do show que marca o lançamento do primeiro Cd da banda, Híbrido, que pode ser baixado tanto na página oficial, quanto no Trama Virtual.

Divirtam-se!!

Drops Cultural: Vocês lançaram o Cd pela internet em fevereiro. Por que o show de lançamento veio só agora, tantos meses depois?

Marco Pessoa:Esse é um processo que demanda a participação de muita gente, são vários fatores que têm que estar em sintonia pra que a coisa possa acontecer. As músicas estavam prontas em fevereiro, e nosso propósito era lançar tudo na rede antes de finalizar o CD físico. A partir daí tudo depende de prazos, dinheiro, correios, e no fim das contas o CD com encarte, na caixa, com código de barras, só chegou em nossas mãos da fábrica há algumas semanas. Paralelamente existe todo o trabalho de planejamento para o show de lançamento, disponibilidade de espaço, pauta, negociações. E o resultado foi esse, pareceu para nós um momento sensato, ainda no primeiro semestre - ainda que no finalzinho dele. Com disco pra vender junto com os ingressos do lançamento.

Diego Marx: ...
David Murad:Realmente o importante para nós era poder fazer o show de lançamento com o CD pronto na mão, efetivamente lançado.

DC:Esse é um dos mais importantes, (se não é o mais) na carreira da banda. Vocês podem destacar outros shows que os marcaram?

Marco:O show no Móveis Convida, pela estrutura e pelo público, o primeiro Lafusicando e o último show com o Lafusa, com eles o público sempre participa bastante.

Diego:O Móveis convida foi um importante show de fato... Mas destacaria também o "Despedidas do Steve", no Landscape... Importante festa do mundo underground que movimenta todo cenário artístico da cidade.

David:Destaco os eventos no Arena em que tocamos com Mombojó (2006) e com Paulinho Moska (2007), ambos artistas influentes para o Velhos. O 1º show com o Marco na batera foi marcante também! Até pelo local, o clássico Teatro Garagem. Ta bom... Tinham somente 10 pessoas na platéia, mas pula essa parte...


DC: Depois que o Radiohead lançou o In Rainbowns, várias outras bandas seguiram o mesmo modelo e disponibilizaram seus CDs para download. A idéia de vocês vem daí, ou já era uma vontade de vocês?

Marco:Nossa idéia de disponibilizar o disco já existia antes mesmo das gravações começarem. Nesse meio tempo o Radiohead fez o que fez.

Diego:Todas as gravações que fizemos, desde sempre, estão disponíveis na internet. Acho que a idéia do Radiohead foi inovadora para bandas Broadcasts, para bandas independentes isso já é muito comum há alguns anos...
David:Inclusive, fiquei sabendo que eles roubaram nossa idéia.

DC: Vocês também fizeram o "CD físico", geralmente quem baixa não compra. Como estão as vendas? O CD foi feito mais para a divulgação da banda em shows?
Marco:Não sei se quem baixa não compra. Muita gente não compra hoje em dia, ponto. Os motivos são vários, e acho que o principal é o preço. O CD era uma vontade nossa, e ainda achamos que é um meio indispensável, paralelo ao mundo virtual. Compra quem é fã, quem quer ter o CD e ouvir uma música que não foi liberada na internet, que gosta de ler as letras, ver encarte, colocar na estante. Além disso fizemos questão do preço ser bem acessível, e ele é um meio de divulgação da banda não só em shows: pra quem não conhece o Velhos, ele vale como um belo cartão de visitas. E você sempre pode dar um de presente.

Diego:As vendas ainda não começaram...

David:Na verdade, por hora, as vendas estão atreladas ao show de lançamento. Não tinha como ser diferente, nosso esforço atual é fazer esse show ser muitíssimo bom, acaba que o foco principal de divulgação tem sido ele. Os CDs estão indo no bolo. Após o dia 29, certamente teremos mais idéia do que é vender um CD que já está disponível na internet. Mas concordo com o Marco, quem compra CD independe de disponibilização virtual, afinal qual trabalho não é colocado integralmente na rede? Basta uma pessoa com um CD para fazer isso.

DC:Vocês pensam em fazer shows fora de Brasília ou estão concentrados na cidade?

Marco:Sim, bastante. Mas uma coisa de cada vez, com tudo planejado. Esse ano concentramos em Brasília, fizemos mais shows aqui em seis meses do que no ano passado inteiro. É importante pra consolidar um público na cidade, mesmo que por aqui isso seja bem difícil. Mas tem acontecido. Esperamos que cada pessoa recomende a banda para pelo menos duas, e por aí vai.

Diego: Marco disse tudo.

David:Não só desejamos fazer como precisamos fazer! E vai rolar...

DC: Qual a música que cada um de vocês mais gosta no Híbrido?

Marco:São todas muito boas. Meu last.fm diz que "O Carneiro e o Leão", "A Menina dos Olhos da Cor dos Cabelos" e "Alegoria" estão empatadas.

Diego:Gosto de "Reflexões Voláteis".


David:"Jeans" é aquela empolgação, em show é o ponto forte, "Carneiro(...)" já é clássica em meus ouvidos e não consigo enjoar, mas, no quesito beleza, "Trapos(...)" é minha favorita.

DC: Como são as composições? Quem são as cabeças? Ou todos dão um palpite, trazem uma letra, uma melodia?

David:O Híbrido tem vários compositores. Entre nossas músicas autorais Beto e Xande (do Móveis) são parceiros do Diego em Alegoria; Didi assina Meio Céu, também com Diego e, em uma das canções mais antigas do álbum, temos a participação de um velho parceiro de música: Vitor Sá, que, junto de mim e do Diego, tem seu dedo na Pequena Colméia de Dinossauros.
No processo de composição do Híbrido eu e Diego fomos os principais letristas, sendo que, pela repetição do nome, dá pra ver que a maioria leva a alcunha do doutor Marx.
Os arranjos, idéias, detalhes bizarros e etc. são, em grande parte, frutos de muita cabeça batida em ensaios e reuniões musicais de todos os cinco. A gente descobriu que consegue ter idéias interessantes quando nos juntamos para criar.

DC: O que vocês escutam? Quais as principais influências da banda?

Marco: É importante ouvir muita coisa. Ultimamente tenho escutado muito Loose Fur, e os últimos do Portishead e Radiohead. Eu escuto muita música desde criança, então enumerar influências fica complicado. Visitem meu last.fm e confiram, hehehe.

Diego:Boa Marco! O meu last.fm diz que eu escuto muito David Bowie, Queens Of The Stone Age e outros... Colocaria Kings of Convenience, Portishead, Nine Inch Nails e Moska na lista só pra completar.

David:Certamente nossas influências não se resumem ao que estamos ouvindo agora. O Marco disse bem, pois acredito que todos nós escutamos muita música desde cedo. Tenho grande influência do reggae em minha adolescência, hoje escuto muito rock, blues e jazz, mas no meu playlist vence o samba.

DC: Antes de trabalhar com "O Mundo" (André Abujamra, da banda Karnak), vocês cantavam "A Flor" (Los Hermanos) e já fizeram covers de outras músicas. No show com o Lafusa (na Livraria Cultural, dia 08 de junho), numa dobradinha com o Aloizio, cantaram "Móbile", do Moska. A pergunta é: Como escolher uma música para fazer o cover?

Marco: Nós tocamos Móbile de vez em quando. A escolha de covers tem muito a ver com o que achamos que pode ter a ver com o som da banda, ou algo que todos da banda gostam e que achamos que podemos dar uma cara nossa pra música. Passa a ser uma versão, e não necessariamente uma cópia.

Diego: Na verdade essa escolha é muito dolorosa, pois além de gostarmos da música ela tem que caber nos nossos moldes e formação. A gente muito dificilmente toca uma musica sem interferir na mesma.

David:É isso, procuramos algo bom que possamos revirar e dar nossa cara. Versão é uma nomenclatura mais ideal.

DC: Vocês mantêm contato com bandas de Brasília, inclusive foram os primeiros convidados do Lafusicando. Alguma pretensão em fazer um "Velhos e Novos", onde vocês apresentam bandas novas?
Marco:A banda já teve um projeto desse tipo, o Triunvirato, mas o seu nome é bem melhor, hehehehe. O Triunvirato não apresentava necessariamente bandas novas, mesmo porque a gente nem é tão Velho assim, somos mais uma banda "nova" pra muita gente. Queremos agir nesse sentido sim, mas evitando cair num lugar comum de coisas que acontecem na cidade. Quem sabe.

Diego:Certamente isso deve acontecer... Mas por enquanto, ainda somos "novos demais" para nos considerarmos velhos...

David:Gostaria de pedir os direitos autorais dessa sua idéia.

DC: Quando a banda começou vocês pensavam em continuar como banda, ou era mais uma coisa entre amigos?

Diego:Na verdade acho que sempre tivemos uma postura muito séria perante a banda, nunca foi considerada "banda de ensaio de fim de semana", a gente sempre ensaia religiosamente 3 vezes por semana no mínimo... Acho que este é um sintoma de quem leva a banda a sério.

David:Ficou sério tem bastante tempo. Acho que foi quando percebemos que não tínhamos mais dinheiro pra bancar uma brincadeira cara dessas!

DC: A banda está na terceira formação (certo?) e também mudou de nome. Desde o início até hoje, o que mudou no som?

Diego:Aconteceu uma ruptura na verdade... Esta é a segunda formação do Velhos e Usados (o antigo baterista Marlon Tugdual saiu pra dar o lugar ao Marco). Mas de fato o que aconteceu foi que eu e David tocávamos juntos em uma banda anterior que se chamava Patuléia, e esta emprestou o nome pro Velhos e Usados durante algum tempo... Mas, desde que 3 integrantes da Patuléia saíram da banda, restando somente eu e David, o que veio depois foi o Velhos e Usados, mesmo que não tivéssemos mudado de nome ainda.

DC: O Híbrido é diferente do que o público da Patuléia estava acostumado a ouvir. Eu mesmo, indo a alguns shows, vi a "mutação" de "Alegoria", uma das faixas do Cd. Por que e como a música foi passando por esses melhoramentos?

Marco:Essa evolução é natural, até se chegar em uma versão minimamente definitiva pra música. Mais ainda em uma faixa como Alegoria, que é mais antiga, e passou pelo processo do ingresso de um novo membro na banda, eu, no caso. Sempre aparecem idéias novas, maneiras novas de interpretar a música.

Diego:A verdade é que a gente é frenético por mudanças.

David:É fato. Se eu não controlo um pouco mudavam até o nome do disco.


DC: Embora vocês estejam tão presentes na internet (Myspace, Lastfm, Trama, etc.), ainda não têm um videoclipe. Quando vai rolar um?

Diego:Possivelmente semana que vêm...

David:Eu queria ser otimista assim. [risos]

Um comentário:

Renato Nunes disse...

Parabéns Alê, essa banda é realmente sensacional. Descobri recentemente e fiquei espantado com a qualidade das composições e dos arranjos. Depois visite meu blog sobre o rock de Brasília desde 64 e ouça o player.

Um bjo

Renato