16 junho 2008

O Escafandro e a Borboleta

"Um texto só existe depois de lido". Essa é uma das "falas-pensamentos" de Jean-Domenique Bauby, em O Escafandro e a Borboleta e é o grande mote do filme.

Jean-Do, como é carinhosamente chamado por grande parte do elenco, é editor da revista Elle francesa. Um homem de 42 anos, ativo, conquistador, com 03 filhos (de sua ex-mulher) e apaixonado por sua namorada, Inés. O que imaginamos? Um homem no auge, claro.

Sua vida passa por um reviravolta. Sem mais nem menos, Jean-Domenique sofre um derrame cerebral. Todo seu corpo fica paralisado, a única coisa que ele consegue mover é seu olho esquerdo. Ele sofreu da síndrome "locked-in". E é apenas com seu olho esquerdo, que Jean escreve o livro que dá nome ao filme, adaptado para o cinema no ano passado.
Sua ortofonista desenvolve um alfabeto difrente, com algumas letras mais usadas na língua francesa. Cada vez que alguém soletrava para ele, este quando ouvia a letra que desejada, piscava. Foi assim, com todo este trabalho que o livro foi lançado em 1997.

O Escafandro e a Borboleta é muito emocionante. Eu me vi com olhos marejados várias vezes e chorei (claro!). O filme começa muito agoniante. A primeira parte é toda assistida pela visão de Jean-Do. O que ele vê é o que você vê. O que ele sente é o que você sente. E você tem uma sensação de impotência impressionante.

Do filme, algumas coisas para mim não ficaram tão claras. Quando se retorna a vida de Jean-Do Bauby, você não entende muito bem o que se passou, mas sabe exatamente o que está se passando. Ás vezes (ou muitas vezes), você sente uma aflição tão grande por saber que mesmo sofrendo tudo aquilo, Jean-Do não vai sobreviver. Quando assisti À procura da felicidade, senti algo parecido, mas ao menos tinha o consolo de que Chris Gardner iria vencer.O Escafandro e a Borboleta se torna mais desolador quando você se dá conta disso.
O nome também foi muito bem escolhido. Numa das passagens do filme entendemos bem o que ele quer dizer. O escafandro, aquele velho aparelho de mergulho, é associado ao corpo de Jean-Do, que virou sua prisão. E a borboleta é a sua imaginação, que pode levá-lo para onde ele desejar.

O filme está em cartaz no Liberty (onde eu assisti), Academia e Águas Claras .

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