20 janeiro 2008

O ano em que meus pais saíram de férias

Até que enfim eu loquei o filme brasileiro forte candidato a concorrer a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro de 2008, O ano em que meus pais saíram de férias.
Muita gente preferiria ver o fenômeno Tropa de Elite e com razão, mas o filme nem entrou na lista dos cineastas brasileiros. Ele foi considerado violento demais e isso é bem verdade. Acho que os americanos não iriam se chocar muito. Acostumados a filmes como Jogos Mortais, Rambo e Duro de Matar, Tropa de Elite é fichinha. Talvez os membros da Academia dessem mais valor ao filme, quando descobrissem que aquilo acontece e que na realidade pode ser bem pior. Não sei se o filme merece o Oscar, mas na minha opinião ele é muito bom.

Com tema mais lírico e um pano de fundo mais político, O ano em que meus pais saíram de férias conta a história de Mauro. Menino de 12 anos aficcionado por futebol, que tem que passar uma temporada na casa do avô para que seus pais tirem as tais férias.

Chegando lá, Mauro tem uma pequena surpresa, o falecimento do avô. É acolhido então pelo velho judeu e vizinho, Shlomo.

Ambientado no famoso Bairro do Bom Retiro em São Paulo, o filme mostra as diferença culturais convivendo em harmonia, enquanto as diferenças políticas não conseguem. Mauro vive um pouco avesso a tudo isso, até porque ele não entende muito bem o que está acontecendo. Mas mesmo sem querer acaba participando um pouco desse meio. Afinal de contas ele é filho de Daniel Stein.
É o ano de 1970. Um ano bastante esperado. Um ano de Copa e o Brasil está lá com Pelé, Tostão, Rivelino... Entretanto, os jogos às vezes não são tão interessantes para Mauro, que espera incansavelmente pelos pais, que prometeram voltar justamente nesta data.

No começo, a relação entre Shlomo e Mauro é bem complicada. Mauro se depara com uma diferença cultural muito grande e tem que se habituar a ela. Imagina ter que comer peixe pela manhã ou tomar banho frio à noite? Porém a relação torna-se verdadeira e amorosa. O velho Shlomo amolece e Mauro cria mais responsabilidade.

A grande sacada de Cao Hamburger neste filme é dar voz aos sentimentos, desejos e aflições deste menino. Uma das melhores partes acontece no final, quando ele explica inocentemente o que é ser um exilado.

O filme é muito bom, mas me pergunto se será uma boa escolha. Pois o filme que ganhou o Oscar no ano passado, tinha justamente uma criança e a ditadura como plano de fundo. O filme em questão é O Labirinto do Fauno , um filme que vale mesmo a pena assistir e que mereceu sua estatueta.

O ano em que meus pais saíram de férias, conta com as ótimas atuações de Michel Joelsas (Mauro), Germano Hauit (Shlomo), Simone Spoladore, Caio Blat e a participação especial de Paulo Autran.

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